| Trabalho apresentado no Seminário de saúde mental da AME-SP,no ano de 2006,em São Paulo,SP; e no II Congresso de Saúde e Espiritualidade de MG,em agosto de 2007,na Faculdade de Medicina da UFMG,em Belo Horizonte,MG. (Carlos Eduardo Sobreira Maciel – carlos.amemg@hotmail.com )I – IntroduçãoAspectos clínicos:a depressão é uma doença crônica e para que se faça o seu diagnóstico leva-se em conta a presença de um complexo sindrômico ( com 2 semanas de duração):sintomas psíquicos(humor depressivo,anedonia,desânimo,diminuição da concentração e do raciocínio);sintomas fisiológicos (alterações do sono,do apetite e do interesse sexual);alterações de comportamento (crises de choro,retraimento social,agitação ou lentificação psicomotora,comportamento auto-lesivo).Segundo dados estatísticos,a depressão ocupa o 2º lugar no mundo como problema mental,perdendo apenas para os transtornos ansiosos. Representa 30% de todas as consultas médicas em qualquer especialidade. É uma doença muito freqüente (2-19% da população) e tende a aumentar progressivamente ao longo dos próximos anos. Segundo a OMS,em 2020 a depressão será a segunda causa de incapacitação social,só perdendo para as doenças coronarianas. Faz-se urgente,a necessidade de melhor compreendermos as suas causas mais profundas e as possibilidades terapêuticas mais eficazes. Faz-se urgente que compreendamos a depressão como uma doença da alma.II – CausasConsiderando a etiopatogenia da depressão,temos dentro de uma abordagem espiritual,dois grandes grupos de depressão:As depressões de fundo carmático (onde há um importante fator genético) e as depressões reativas (causadas por fatores ambientais,experiências de vida).As primeiras se originam de ações moralmente doentias do espírito,em uma ou diversas encarnações,nas quais prejudicou a si e a terceiros,acarretando uma reencarnação onde há a escolha de material genético comprometido,predisposto à depressão. Já as segundas são desencadeadas por situações vividas na atual encarnação que levam ao adoecimento da tristeza.É importante lembrar que obsessão espiritual também pode causar depressão. Os obsessores podem provocar depressão dos dois grupos. Atuando diretamente no material genético,seja no momento da fecundação (na escolha do óvulo e do espermatozóide) ou na mutação do zigoto,provocando a predisposição à depressão. E atuando na vida do indivíduo,aumentando a sua carga de estresse,provocando depressões do segundo grupo.Também não podemos nos esquecer que a depressão antes de tudo é um processo auto-obsessivo,pois na realidade,há uma situação de rebeldia do espírito,cuja energia destrutiva é voltada contra si…os sintomas e sinais do deprimido apontam para esta direção:foge da luz,retraído;anorexia;insone;comportamento auto-lesivo….III – Tratamento da depressãoHá no indivíduo deprimido,alterações bioquímicas no seu cérebro que explicam todos os sintomas da depressão. São as deficiências de neurotransmissores tais como a serotonina,a dopamina e a noradrenalina. Os medicamentos antidepressivos corrigem estas deficiências. Mas apesar de sua eficácia comprovada e do alívio e conforto para o paciente,trata-se ainda de um tratamento de “superfície”,de um tratamento das conseqüências da depressão no corpo físico.IV -Recursos terapêuticos espíritas para a depressãoPodemos nos perguntar como aprofundar no tratamento da depressão,além do alcance dos psicofármacos?Há pesquisas e estudos em diversos locais do mundo que demonstram a importância da religiosidade na saúde das pessoas,independente da religião que se professa. Aqui então encontraremos recursos terapêuticos espíritas para tratamento da depressão,na certeza de que a Doutrina dos espíritos é o consolador prometido por Jesus.1- Estudo doutrinário:que leva a criatura a uma maior compreensão de Deus e de Suas leis. A simples constatação da existência de Deus já alivia e conforta o homem e sustenta a sua esperança,combatendo importantes sintomas depressivos tais como a desesperança e a angústia.A compreensão de suas leis,em especial da lei de causa e efeito,promove uma modificação importante na postura do deprimido diante da vida. Ele deixa de se ver como vítima do destino,abandonado pelas benesses divinas e por isto um grande sofredor,reconhecendo que todos nós somos donos do nosso rumo,portanto retira do outro as suas responsabilidades…o paciente se implica no processo de cura,se responsabilizando pelas causas e pela participação ativa no tratamento.A Doutrina espírita,que tem Jesus como exemplo maior,estimula o autoconhecimento e a reforma íntima,levando a criatura ao tratamento das causas mais profundas das doenças. À medida que promove a sua reforma,o próprio espírito amplia as suas condições íntimas e melhora o seu estado vibracional,quebrando a sintonia com obsessores. E também adquire força mental capaz de atuar diretamente no campo material. Pode atuar no RNA (parte do código genético presente no citoplasma e passível de mutações) eliminando a predisposição genética à depressão,e no cérebro,melhorando as suas condições bioquímicas,produzindo maior quantidade de neurotransmissores,aprimorando a sensibilidade dos receptores e melhorando a sensibilidade do organismo aos efeitos dos medicamentos.2- Prece:“Orar é identificar-se com a maior fonte de poder de todo o universo,absorvendo-lhe as reservas” Emmanuel (Pensamento e vida).Há 2 tipos de oração:As proferidas pelo próprio necessitado e as intercessórias. Nas primeiras a atividade mental do paciente faz surgir novas energias que atuam no campo celular,modificando o funcionamento bioquímico. Muitos trabalhos científicos realizados com a ajuda da neuroimagem demonstraram que,durante a prece,ocorrem mudanças em certas áreas cerebrais (córtices parietais anteriores e pré-motores),levando a liberação de substâncias como as endorfinas,que produzem sensação de prazer e bem-estar,combatendo os sintomas depressivos,anedonia e mal-estar geral.Quanto às orações intercessórias,os resultados da pesquisa realizada pelo doutor Carlos Eduardo Tosta (professor de imunologia da Faculdade de Medicina – Universidade de Brasília) demonstram a sua eficácia:52 estudantes de medicina foram divididos em 26 duplas e tiveram seus sistemas imunológicos avaliados. Fotos de um estudante de cada dupla foram entregues a religiosos,os quais fizeram preces por eles sem que os mesmos soubessem disto. 36 meses depois,novos exames foram realizados e verificou-se que os estudantes que receberam as preces intercessórias tiveram alterações positivas em seus sistemas imunológicos,ao contrário daqueles que não receberam.Não podemos nos esquecer da importância da prece feita pelo profissional de saúde,abrindo espaço para o auxílio de entidades superiores,as quais auxiliam no diagnóstico e no tratamento.Portanto a espiritualidade e os estudos científicos apontam para a mesma direção:a prece pode beneficiar um paciente,mesmo quando feita por terceiros3- Fluidoterapia:André Luiz,nas obras psicografadas por Chico Xavier,se referiu à técnica da fluidoterapia (passes e água fluidificada) como sendo “uma transfusão de energia alterando o campo celular”. A fluidoterapia é a utilização de recursos magnéticos dos encarnados associados aos recursos de outros planos da vida,os quais podem atuar no corpo físico e no corpo espiritual.O biólogo Ricardo Monesi,da UNIFESP,defende em sua tese de doutorado que essa prática funciona como tratamento complementar nos distúrbios orgânicos e psicológicos. Há alguns anos ele vem fazendo experiências com imposição de mãos em camundongos. O biólogo observou que os animais que recebem este tratamento por 5 dias consecutivos apresentam aumento da capacidade de destruir células cancerígenas.No caso da água fluidificada,o passista imanta a água com suas melhores energias,através da imposição de mãos e/ou da mentalização. Ela absorve esses recursos facilmente,como encontramos em diversos trabalhos publicados recentemente,entre eles o livro do professor Emoto,do Japão,sobre a capacidade da água de absorver energias sutis.Novamente temos aqui a convergência de trabalhos científicos e dos espíritos:podemos utilizar a fluidoterapia no tratamento da depressão através do consumo da água fluidificada de aplicações específicas de passes (o departamento de assistência espiritual do Hospital espírita André Luiz,em Belo Horizonte,vem desenvolvendo um interessante programa de tratamento com passes específicos para cada patologia psiquiátrica e com isto tem auxiliado o trabalho dos terapeutas daquela casa).4- Atendimentos mediúnicos:Através da mediunidade,o paciente deprimido pode receber orientações espirituais de conforto e tratamento desobsessivo. Considerando que a obsessão é um processo de sintonia mental e que o paciente quando em crise depressiva se encontra com a estrutura emocional e os pensamentos desequilibrados,ou seja,uma “antena defeituosa”,temos uma predisposição aos processos obsessivos,os quais agravam a depressão.Vimos que a obsessão pode ser um fator causador ou agravante desta patologia,e por isto deve ser dado uma atenção especial a esta situação.5- O atendimento fraterno:oportunidade de esclarecimento ao doente e aos seus familiares de que a terapêutica espírita é complementar e não exclusiva e excludente,ou seja,não seria a única forma de se tratar e nem dispensaria a assistência profissional necessária.6- Atividades de promoção social:as casas espíritas possuem várias atividades de auxílio aos necessitados. Tais tarefas são uma oportunidade de aprendizado para aqueles que se dispõem a realizá-las. O contato com a dor do outro pode nos sensibilizar,dando-nos a verdadeira dimensão do nosso mal. Estas atividades podem despertar o deprimido,fazendo com que modifique seu comportamento.V – ConclusãoOs limites da medicina são um convite a uma ampliação dos nossos conhecimentos. O tratamento médico psiquiátrico atual é feito com medicamentos que atuam nas delicadas estruturas do sistema nervoso central. Através da compreensão da realidade do espírito observamos a ampliação do conceito de cura e entendemos que para se chegar a ela é preciso profundas mudanças na vida,no comportamento,para modificar a raiz do problema,a causa localizada nos tecidos mais sutis do indivíduo,no corpo espiritual.A proposta médico-espírita é de um aprofundamento do conhecimento das causas da depressão e do seu tratamento,no sentido da auto-cura.Recomendamos que haja no cuidado do paciente deprimido,além dos tratamentos médico e psicológico, um estímulo a religiosidade,respeitando as crenças individuais.Afinal,como disse o mentor Joseph Gleber,no livro “O Homem Sadio”:“Saúde é a real conexão da criatura com o criador” referências em destaque Joseph Gleber – “O Homem Sadio – uma nova visão” Trabalho apresentado no MEDINESP,Congresso Médico-Espírita Nacional e Internacional,realizado em junho de 2007,São Paulo,SP. (Carlos Eduardo Sobreira Maciel – carlos.amemg@hotmail.com )0 – Introdução:Estamos há 150 anos buscando uma integração cérebro-mente –espírito e ao analisarmos a história das descobertas e avanços científicos percebemos que ela é permeada por acidentes e coincidências inacreditáveis,o que nos revela que não estamos sós nesta jornada.No que se refere ao autismo,temos bons exemplos disto:dois homens em lugares distintos,numa mesma época,sem se comunicarem,dão o mesmo nome à doença e 50 anos depois as células doentes do autismo são descobertas acidentalmente…I – História:Na década de 40,dois médicos,o psiquiatra americano Leo Kanner e o pediatra austríaco Hans Asperger,descobriram o distúrbio de desenvolvimento que afeta milhares de crianças em todo o mundo. Foi uma descoberta isolada – nenhum dos dois sabia o que o outro pesquisava,e ambos deram o mesmo nome à síndrome:Autismo. Foi considerada uma “coincidência inacreditável”,mas fica claro que houve uma intervenção do plano espiritual ao nos convidar para dar mais atenção àquelas crianças e ampara-las no seu sofrimento.A palavra autismo vem do grego autos,que significa “de si mesmo”. O nome é perfeito. O traço mais flagrante da doença é o isolamento do mundo exterior,com a conseqüente perda de interação social. Em vez de dedicar-se à exploração do mundo exterior,como acontece normalmente,a criança autista permanece dentro das fronteiras de seu próprio universo pessoal.II – Conceito,quadro clínico e epidemiologia:Segundo a OMS,o autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento,definido pela presença de desenvolvimento anormal que se manifesta antes da idade de 3 anos e pelo funcionamento anormal em três áreas:interação social,comunicação e comportamento restrito e repetitivo.O comprometimento da interação social é observado na falta de empatia,na falta de resposta às emoções de outras pessoas e no retraimento social.Já o comprometimento da comunicação é percebido na falta de uso social da linguagem,na falta de linguagem não-verbal,na pobreza de expressão verbal e no comprometimento em jogos de imitação.O autista também apresenta um comportamento restrito e repetitivo,o que pode ser observado através de estereotipias motoras e preocupações estereotipadas com datas,horários e itinerários.Podem também existir sintomas inespecíficos como fobias,auto-agressão,ataques de birra e distúrbios alimentares.Há deficiência mental em cerca de ¾ dos casos,embora todos os níveis de Q.I. possam ocorrer em associação com o autismo. Às vezes há capacidade prodigiosa para funções como memorização,cálculo e música.Segundo recentes publicações da Revista Brasileira de Psiquiatria,publicação da ABP,alguns autores sugerem que o diagnóstico já pode ser estabelecido por volta dos 18 meses de idade. Outras informações epidemiológicas mostram que há de 1a 5 casos em cada 10.000 crianças e que a doença ocorre em meninos 2 a 3 vezes mais do que em meninas.III – Causas:A maioria dos casos de autismo tem causa desconhecida. Alguns casos são presumivelmente decorrentes de alguma condição médica das quais infecções intra-uterinas (como a rubéola congênita),doenças genéticas (como a síndrome do x frágil) e ingestão de álcool durante a gravidez (provocando a síndrome fetal alcoólica) estão entre as mais comuns.IV – Neurônios-espelho:Descobertas científicas recentes apontam para um defeito nos neurônios-espelho como causa do autismo. Estes neurônios são um subconjunto de células que refletem no cérebro do observador os atos realizados por outro indivíduo (se eu pego um objeto,alguns neurônios são ativados em meu cérebro;se eu observo o indivíduo pegando o objeto,os mesmos neurônios são ativados em meu cérebro como se eu estivesse pegando o objeto).Os neurônios-espelho foram descobertos,acidentalmente,no início da década de 90 por pesquisadores italianos da Universidade de Parma,que estudavam um determinado tipo de neurônio motor de macacos. Este neurônio disparava quando o macaquinho pegava uma fruta e para surpresa de todos,disparou também quando ele observou um dos pesquisadores pegar a fruta,como se ele mesmo estivesse pegando-a para comer.Uma série de experimentos realizados posteriormente demonstrou a existência destes neurônios no cérebro humano. Portanto podemos dizer que através dos neurônios-espelho,nós podemos compreender “visceralmente” um ato observado. Nós sentimos a experiência vivida por outro em nossas mentes. Mas não é só esta a função destes neurônios.Diversos estudos realizados nas Universidades da Califórnia e College de Londres e no centro de Pesquisa Jülich,na Alemanha,demonstraram as funções de reconhecimento de intenções dos atos,de emoções vividas por outra pessoa (então se uma pessoa te diz:“eu sei o que você está sentindo”,talvez ela não saiba o quanto esta frase é verdadeira) e o importante papel de aprendizado por imitação de novas habilidades,como a linguagem por exemplo.A partir do final da década de 90,pesquisadores da Universidade da Califórnia se empenharam em determinar uma possível conexão entre neurônios-espelho e autismo,já que ficou demonstrada a associação entre essas células e empatia,percepção dos atos e intenções alheios e aprendizado da linguagem,funções deficientes nos autistas.V – O sistema espelho “quebrado”:E realmente, estudos realizados na Universidade de Saint Andrews,na Escócia,Universidade de tecnologia de Helsinque,na Finlândia,além dos estudos na Universidade da Califórnia,provaram que a atividade dos neurônios-espelho dos autistas é reduzida em diversas áreas cerebrais:- No córtex cingulado anterior e insular,o que pode explicar a ausência de empatia;- No córtex pré-motor,o que pode explicar a sua dificuldade de perceber atos alheios;- E no giro angular,explicando problemas na linguagem.VI – Marcas espirituais – patogênese remota:Apesar dos avanços científicos,o autismo permanece um mistério,um desafio,um enigma que só se revelará mais claramente ao nosso entendimento a partir da introdução da realidade espiritual.Já se sabe que disfunções neurológicas (como as disfunções dos neurônios-espelho) produzem repercussões de natureza autística,mas continuaremos com a pergunta maior:que causas produzem as disfunções neurológicas? Se a responsabilidade for atribuída aos genes,a pergunta se desloca e se reformula assim:que causas produzem desarranjos nos complexos encaixes genéticos?Segundo a literatura médico-espírita e orientações mediúnicas recebidas no GEEP da Associação,o autismo como outros graves distúrbios mentais (psicoses por ex.) resulta de graves desvios de comportamento no passado,de choques frontais com as leis que regem o universo. Então,o que antecede à predisposição genética e às disfunções neurológicas são as graves faltas pretéritas.Entre o passado de faltas e as presentes alterações genéticas,neurológicas e mentais do autismo encontramos uma ponte que liga estes dois momentos distintos. Esta ponte é o próprio processo de reencarnação. Aqui se encontra a formação do autismo. Há duas possibilidades ou vias de ligação:1a O reencarnante com profundas lesões perispirituais produzindo alterações neurológicas e a conseqüente formação do autismo.2a O reencarnante rejeita a reencarnação levando à formação do autismo.Na 1a possibilidade,a consciência do reencarnante marcada pela culpa,acarretou severos danos no perispírito e conseqüentes lesões no SNC. Há uma incapacidade de organizar um corpo sadio na atual encarnação. Neste caso a entidade espiritual fica aprisionada no corpo deficiente,sem conseguir estabelecer comunicação. Esta possibilidade ou via de formação do autismo é defendida por alguns estudiosos que acreditam que certos autistas,constituem angustiantes tentativas de se entender com o mundo externo. Há casos de autistas que alcançaram certa melhora e relataram que muitas vezes entendiam o que as pessoas lhe diziam,mas não sabiam como responder verbalmente. Recorriam,por isto,aos gritos e ao agitar das mãos,único mecanismo de comunicação que dispunham.Na outra possibilidade,via ou ponte de ligação entre passado de faltas e autismo,temos o indivíduo com a consciência marcada pela culpa,temendo colher os frutos em uma nova existência compulsória,rejeitando a reencarnação,provocando autismo. No livro “Loucura e obsessão”,de Manoel Philomeno de Miranda,temos a confirmação da hipótese de rejeição à reencarnação. Nos capítulos 7 e 18,o Dr. Bezerra de Menezes explica que o indivíduo com a consciência culpada é reconduzido à reencarnação e acaba buscando o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar as graves faltas do passado. Trata-se de um vigoroso processo de auto-obsessão,por abandono consciente da vida. Conclui dizendo que muitos espíritos buscam na alienação mental,através do autismo,fugir às suas vítimas e apagar as lembranças que o atormentam.VII - Marcas espirituais – os sintomas:Considerando a possibilidade de rejeição à reencarnação podemos fazer uma nova leitura dos sintomas autísticos. Começando pelo isolamento,sinal de que o autista não admite invasões em seu mundo;como porém,a participação mínima do lado de cá da vida é inevitável,sua manifestação se reduz a alguns movimentos repetitivos como agitar as mãos,girar indefinidamente um prato ou a roda de um brinquedo,qualquer coisa enfim,que mantenha a mente ocupada com rotinas irrelevantes que o livrem do convívio entre as pessoas.Uma explicação possível para o sintoma autista de girar sobre si mesmo,seria a produção de tonteira através da rotação,provocando um passageiro desdobramento entre perispírito e corpo físico,livrando a criança,momentaneamente,da prisão celular.As crianças autistas muitas vezes manifestam rejeição a alguma parte do corpo,através de auto-agressão. Isso pode ser um sinal de rejeição à própria personalidade.Quanto à relação ambígua consigo mesma,manifestada pela troca dos pronomes pessoais (referindo-se a si mesma como “tu” e ao outro como “eu”),podemos pensar na possibilidade de obsessão espiritual,já que com os desacertos do passado,muitos são os desafetos.Uma análise mais profunda da disfunção da linguagem,pode ser feita a partir da hipótese proposta por Hermínio Miranda em seus livros “A alquimia da mente” e “Autismo,uma leitura espiritual”. Segundo o autor,normalmente ao reencarnar,o espírito se instala à direita do cérebro e por 2 ou 3 anos passa para o hemisfério esquerdo a programação da personalidade daquela encarnação. Neste período é formado o mecanismo da linguagem. No caso do autismo o espírito permanece –autísticamente- no lado direito,área não-verbal do cérebro,sem participar deste processo. É natural que este ser que vem compulsoriamente,sem interesses em envolver-se com as pessoas e o mundo,torne o seu sistema de comunicação com o ambiente,o mais rudimentar e precário possível. Encontramos informações que reforçam esta hipótese:-1a sabe-se que o corpo caloso,estrutura que liga os dois hemisférios cerebrais,não desempenha durante os primeiros 2 ou 3 anos de vida,a função de separar faculdades dos dois hemisférios.-2a a partir do segundo ou terceiro ano de vida é que o hemisfério esquerdo assume a linguagem.-3a o autismo eclode até o terceiro ano de vida quando se percebe uma interrupção do desenvolvimento da linguagem.Parece então que até os 2-3 anos as crianças vão se comunicando através dos 2 hemisférios,e a partir de então só se comunica quem tiver implantado no h.esquerdo esta função,o que não acontece com o autista.VIII – Tratamentos:O autismo é um quadro de extrema complexidade que exige abordagens multidisciplinares,visando a questão educacional e da socialização,assim como o tratamento médico.O tratamento médico é realizado com medicamentos para reduzir sintomas como agitação e agressividade.É importante dizer que pesquisas têm sido dirigidas no sentido de se encontrar medicamentos que estimulem a liberação de neurotransmissores específicos ou reproduzam os seus efeitos. Neurotransmissores que sejam responsáveis pelo funcionamento químico dos neurônios-espelho.Do ponto de vista do espírito,por mais paradoxal que possa parecer,o remédio para o autismo é o próprio autismo como forma de drenagem perispiritual.IX – Prognóstico:Alguns pacientes autistas conseguem alcançar um certo nível de autonomia. A literatura mostra que alguns fatores estão ligados a um melhor prognóstico:1- Significativa destreza verbal adquirida antes de instalada a doença.2- Diagnóstico precoce e concentração de esforços tão cedo quanto possível. Tratamento e terapia devem ser iniciados quando a anormalidade é observada na criança pela 1a vez.X – Conclusão:Na certeza de que a diferença mais importante entre nós e nossos pacientes está em um pouco mais de boa vontade de nossa parte,e isto foi dito mais de uma vez pelo nossos mentores,cito mais uma vez o sr Hermínio Miranda para concluir este trabalho.É necessário construir uma ponte para ligar o mundo externo ao mundo íntimo do paciente. É importante que não nos comportemos de forma autística,nos fechando nos nossos mundos de clichês,cheios de padrões,desinteressados em andar metade do caminho,na direção do paciente.Uma possibilidade é tentar interpretar os seus sinais não-verbais. É bem verdade que não há muitas palavras no dicionário deles,mas a linguagem universal do amor também é não-verbal. Para se expressar através dela,há os gestos,a vibração sutil da emoção,da solidariedade,da paciência,da aceitação da pessoa como ela é,não como queremos que ela seja.Se estivéssemos no lugar deles,como gostaríamos de ser tratados? É presumível que eles estejam fazendo tudo que lhes seja possível,dentro de suas limitações. Com um pouco de boa vontade de nossa parte,talvez concordem em tocar a mão que lhe estejamos oferecendo a fim de saltarem o abismo que nos separa!XI – Referências bibliográficas:1- Revista Scientific American2- Revista Brasileira de Psiquiatria3- CID 104- Autismo,uma leitura espiritual – Herminio Miranda5- Alquimia da Mente – Herminio Miranda6- Orientações mediúnicas,Grupo de Estudos de Espiritismo e Psiquiatria da AMEMG“A embriaguez dos sentidos é abismo de esquecimento da responsabilidade de consciência perante as exigências da evolução”. (Joanna De Angelis)à Trabalho apresentado no I Seminário de Saúde e Espiritualidade da Faculdade de Medicina de Barbacena,em outubro de 2008,Barbacena,MG;e na XXVI Semana de Espiritismo e Psiquiatria do Hospital Espírita André Luiz,no mesmo período,em Belo Horizonte,MG. (Carlos Eduardo Sobreira Maciel -carlos.amemg@hotmail.com )A espiritualidade auxilia na prevenção e no tratamento das doenças (inclusive das dependências químicas) Essa afirmação pode a princípio parecer dogmática,mas é a conclusão de diversos trabalhos científicos. A religião e a medicina tornaram-se independentes uma da outra com o desenvolvimento científico e tecnológico. Mas nos últimos anos uma força tem aproximado esses dois campos do saber. A comunidade científica tem mostrado interesse em entender como a espiritualidade pode auxiliar os médicos a obterem melhores resultados no exercício da profissão. Para exemplificar isso podemos dizer que desde o ano 2000 foram publicados cerca de 3000 artigos sobre religião e saúde mental.Cito também o trabalho de um importante pesquisador,o médico Harold Koenig,que demonstrou como a fé,a oração e a prática religiosa podem ser aliadas da ciência médica. Dos seus 114 estudos,91 concluíram que:ü Religiosos têm bem-estar mais elevado e maior esperança do que os não crentes;ü Há um número menor de casos de depressão e suicídio em indivíduos que têm alguma prática religiosa;ü Ansiedade,medo e vícios atingem menos as pessoas que tem alguma fé. E a recuperação de doentes que sofrem desses males também é mais rápida.Baseado nessas informações,podemos dizer que a religiosidade é um fator de prevenção e também um recurso terapêutico na questão das dependências químicas. Esses trabalhos demonstram que a religiosidade é fator de promoção e recuperação de saúde,independente da crença que se professa. E quando olhamos esses trabalhos à luz do Espiritismo,encontramos uma concordância com seus resultados,além da ampliação da compreensão da etiologia,fisiopatologia e terapêutica das dependências.Introdução O que chamamos de drogas são substâncias psicoativas,ou seja,que tem ação sobre o sistema nervoso central. As drogas de abuso compartilham um mecanismo biológico comum:a propriedade de promover direta ou indiretamente a ativação de vias dopaminérgicas,mesolímbicas e mesocorticais,associadas ao prazer,com principal envolvimento da área tegmentar,do córtex pré-frontal e do nucleus accumbens. Estas substâncias podem provocar uma ampla variedade de transtornos que diferem em gravidade (de uma leve intoxicação não complicada até graves quadros psicóticos ou demenciais irreversíveis). Histórico O uso de substâncias psicoativas sempre existiu em todas as sociedades desde tempos mais remotos e acompanha o ser humano em uso ritualístico e festividades. Essa situação perdurou por vários séculos com um aparente controle social sobre o consumo. No entanto,nas últimas décadas,estamos convivendo com um crescimento do consumo de substâncias lícitas (como o álcool e o tabaco) e com o aumento da utilização de substâncias ilícitas como a maconha,cocaína,crack e ecstasy.Hoje o uso de substâncias responde por uma parcela importante das internações psiquiátricas (segundo uma recente pesquisa do Ministério da Saúde,publicada no Jornal do CFM,essa parcela é de 18% das internações) e está associada a elevadas taxas de adoecimento psíquico e físico (vários órgãos são afetados). Além disso temos a gravidade das conseqüências dos episódios de abuso,principalmente acidentes de trânsito,exposição a comportamento sexual de risco e atos de violência,trazendo danos individuais e coletivos.Dependências Trataremos do problema das drogas. Mas é muito importante dizer aqui que a questão da dependência e dos vícios não se restringe às drogas. A dependência de drogas faz parte de um grande grupo de dependências e por isso é importante lembrar que as pessoas podem ser viciadas em drogas,mas também viciadas em trabalho,em comida (temos assim os transtornos alimentares como as compulsões alimentares e a bulimia nervosa),viciadas em jogo (jogo patológico),viciadas em sexo (em psiquiatria,são os quadros conhecidos como satiríase e ninfomania),e há os viciados em pessoas (são dependências afetivas,relacionamentos afetivos doentios onde a pessoa se torna objeto da outra e na sua ausência podemos observar verdadeiras crises de abstinência).Porque razão as pessoas procurariam os caminhos que levam às dependências? Há possíveis explicações psicológicas,psiquiátricas,genéticas e espirituais. Procurei nas semanas que antecederam esse nosso encontro,perguntar aos pacientes,internados sob os meus cuidados,para desintoxicação,o que os levou às drogas e pude perceber que as respostas não variaram muito (má influência dos companheiros,curiosidade,fuga…). Compreende-se que na base da dependência geralmente encontra-se um indivíduo com algum transtorno na personalidade,com dificuldades em enfrentar a vida em determinadas situações (com sentimentos de menos-valia,uma baixa auto-estima,um não confiar em si mesmo) e que acaba optando por uma fuga,um deslocamento para o objeto do qual se torna dependente. Outras possibilidades são:dificuldades em lidar com limites (impostos pela vida,em relação ao prazer e aos riscos) e presença daquilo que chamamos de patologias de base,como os transtornos afetivos. Por exemplo:Pessoas com depressão às vezes recorrem ao álcool para “tratar” sintomas depressivos como a insônia e o desânimo. Procuram então,a sonolência e a euforia provocadas pelo álcool,mas encontram um sono de qualidade ruim e a labilidade afetiva (da euforia acabam aprofundando a depressão). Além de piorarem a depressão,tornam-se muitas vezes,dependentes do álcool.No livro As Dores da Alma,o autor Hammed pontua que os dependentes se apegam ao objeto (drogas,jogos,sexo,trabalho,e relacionamentos),buscando um prazer que preencha um vazio interior.Segundo Victor Frankle,psiquiatra,fundador da Logoterapia,o vazio interior ou existencial,se manifesta principalmente num estado de tédio. Na visão de V. Frankle,os vícios podem ser entendidos se reconhecermos o vazio existencial – a ausência de sentido para a vida – subjacente a eles. Daí o porquê do vício atrair as pessoas – por que “preenche” o vazio existencial (na realidade entorpece,anestesia,para que o vazio não seja sentido). O chamariz da droga seria uma sensação agradável de curta duração. É o aspecto agradável da sensação que a faz desejável,e é a sua curta duração que gera a dependência,pois logo que passa a sensação agradável é preciso que rapidamente seja fornecida a próxima dose do vício,do contrário a sensação agradável logo se transforma em desagradável.Do ponto de vista biológico,encontramos alterações genéticas. Nosso cérebro usa um sistema do tipo recompensa para garantir que persigamos e obtenhamos as coisas de que precisamos para sobreviver. Por exemplo,um estímulo vindo de fora (a visão de alimentos,digamos) ou do corpo (níveis de glicose em queda) é registrado pelo sistema límbico,que cria um impulso que é conscientemente registrado como desejo. O córtex então instrui o corpo a agir para realizar seu desejo. A atividade envia mensagens de resposta ao sistema límbico,que libera neurotransmissores – opióides internos que elevam os níveis circulantes de dopamina e criam uma sensação de satisfação. Segundo os geneticistas norte-americanos Kenneth Blum e David Comings,algumas pessoas teriam dificuldades em obter satisfação da vida,e teriam a síndrome de deficiência da recompensa ((biologicamente poderíamos assim explicar as compulsões) e por isso nunca conseguem o suficiente daquilo que querem:alimentos,drogas,jogos,sexo,etc. Esses geneticistas suspeitam de que um determinado gene (alelo D2R2),encontrado em 70% dos dependentes químicos,comedores compulsivos e jogadores patológicos,seria responsável por parte do comportamento. Na presença desse gene a dopamina seria impedida de se ligar a células nas vias de recompensa e a sensação de prazer que as pessoas têm com a liberação desse neurotransmissor seria reduzida.Numa perspectiva médico-espírita a predisposição genética seria uma marca espiritual,ou seja,temos registrado em nosso DNA alterações secundárias a desequilíbrios em vida pretéritas – no caso seria a drogadição experimentada em vidas passadas.Das dependências aos adoecimentos:Na visão de Emannuel,nós adoecemos por reter a energia dos objetos da dependência (tratando-se das dependências de pessoas e objetos).No livro Caminho,verdade e vida,o autor nos fala que “somos proprietários apenas daquilo que conseguimos levar dentro de nós. O resto é empréstimo Divino. Mas temos o hábito (ou melhor,o hábito adoecido que chamamos de vício) de reter as coisas,os objetos,as pessoas e suas energias,e assim vamos adoecendo…”. Veremos então todo o processo de adoecimento físico,psíquico e perispiritual.Quanto às lesões perispirituais,numa perspectiva reencarnacionista,encontraríamos o motivo de várias lesões congênitas no trato gastro-intestinal,aparelho circulatório e no sistema nervoso central,bem como de alguns quadros de deficiência mental,no consumo de drogas. Segundo André Luiz,nos livros Ação e Reação (cap19) e Nos Domínios da Mediunidade (cap 15),os dependentes químicos atravessam as fronteiras da desencarnação como suicidas indiretos e retornam à carne em veículos físicos com lesões nos referidos órgãos e sistemas.Quadros clínicos:1) Intoxicação aguda:caracteriza-se pelo consumo de uma ou mais substância em quantidades suficientes para interferir no funcionamento normal do organismo. Ocorrem perturbações no nível de consciência,percepção,cognição,afeto e comportamento do indivíduo.2) Síndrome de abstinência:conjunto de sinais e sintomas que ocorre quando o indivíduo diminui ou interrompe o consumo de determinada substância psicoativa após o uso prolongado e/ou em altas doses. É provável que o paciente refira que os sintomas são atenuados pelo uso posterior da substância.3) Síndrome de dependência:conjunto de fenômenos fisiológicos e comportamentais no qual o uso de uma substância alcança prioridade na vida do indivíduo. Há necessidade da presença de pelo menos 3 dos seguintes critérios,características da dependência química:- Forte desejo ou compulsão pela droga;- Dificuldades de controlar o consumo a partir do seu início;- Síndrome de abstinência;- Evidências de tolerância;- Abandono de interesses em favor do uso da substância e- Persistência de uso a despeito de conseqüências nocivas.Classificação:De acordo com a ação no sistema nervoso central,as drogas podem ser classificadas como:- Depressoras:álcool,benzodiazepínicos,solventes e opiáceos.- Estimulantes:cocaína,crack,anfetaminas,ecstasy.- Perturbadoras:maconha,Lsd.ÁLCOOL:O álcool é a spa mais consumida porque tem ampla aceitação cultural e fácil acesso aos usuários. Isto torna as complicações relacionadas ao seu uso as mais recorrentes entre os transtornos associados ao uso de spa.Mecanismo de ação:O álcool e os tranqüilizantes são drogas depressoras (ou inibidoras) do sistema nervoso central e agem diminuindo a ação neuronal através da ação nos neurônios de Gaba ( ácido gama-amino-butírico).Intoxicação aguda:varia de uma leve embriaguez a depressão respiratória e morte. Os sintomas:geralmente num 1o momento com excitação,alegria e desinibição;evolui com impulsividade,irritabilidade e agressividade;e depois depressão e ideação suicida. Estando sempre presentes uma diminuição do raciocínio,alteração do julgamento,fala pastosa,ataxia. Aqui já é possível perceber o aumento de riscos:Impulsividade + agressividade + alteração de julgamento = heteroagressão. Impulsividade + ideação suicida = auto-agressão. Desinibição + impulsividade + alt. do julgamento = comportamento promíscuo. Alt. do julgamento + ataxia = acidentes.Síndrome de abstinência:Início:dentro de 4 a 12h após a redução ou interrupção do consumo. Término:4 ou 5 dias. Sintomas:desconforto GI,ansiedade,sintomas depressivos,aumento de PA,taquicardia,sudorese,tremor,insônia,febre,cãibras. Menos de 5% tem abst. Grave com convulsões (à há na literatura espírita informações acerca dessa complicação. Espíritos que dividem a energia do álcool com o dependente,ao se desligarem do mesmo,no momento da abstinência,já que a razão da ligação cessou,provocariam uma crise convulsiva) e delirium tremens (q. com tremores grosseiros,sudorese profusa,aumentos significativos da PA,FC e temperatura,alucinose) (àas alucinoses são alterações sensoperceptivas secundárias às flutuações no nível da consciência da pessoa em abstinência. Geralmente são visões de seres deformados e de situações assustadoras. A explicação deste fenômeno psicopatológico também pode ser encontrada em algumas obras espíritas:
- No livro No Mundo Maior,André Luiz nos fala sobre o dantesco quadro de perturbações alucinatórias que acomete dependentes químicos,em decorrência da ação obsessiva de entidades vampirizantes.- No livro Medicina da Alma,Joseph Gleber explica o mecanismo dessas alucinoses – no consumo das drogas,além das lesões físicas,temos danos no duplo etérico (corpo sutil que protege o corpo físico) e um rompimento de sua tela atômica,a qual nos separa do plano astral. Neste dano encontramos explicações para as visões (alucinoses) que sofrem os dependentes em situações de intoxicação e/ou abstinência. Lembramos que podemos acessar o plano espiritual (acesso aos planos superiores) num desdobramento induzido por preces,meditação e estados de expansão da consciência. É como se houvesse uma porta que nestes estados se abre naturalmente. A lesão provocada pela droga pode ser comparada a um arrombamento desta porta,uma explosão desta porta,dando à criatura acesso aos planos inferiores.)COCAÍNA:É a 3ª substância ilícita mais utilizada no Brasil,perdendo para a maconha (1ª) e para os solventes. É um alcalóide natural extraída da planta Erythroxylon coca,estimulante do SNC e anestésico local. Isolado na virada do séc. XX e largamente utilizada até o início dos anos 20 quando foi proibida em vários países europeus e Eua devido à dependência e ao comportamento de abuso que causava. Ressurgiu nos anos 80.1) Mecanismo de ação:a cocaína pertence à classe de drogas estimulantes do SNC,agindo por meio do bloqueio de recaptação de dopamina,serotonina e noradrenalina nas sinapses.2) Intoxicação aguda:aumento da FC,da PA,da vontade sexual,da auto-estima;diminuição do apetite;euforia,sudorese,tremor,comportamento violento,pânico,sintomas paranóides (considerar a possibilidade de percepções de quadro obsessivo). As complicações psiquiátricas agudas são os principais motivos de procura por atendimento médico de urgência entre os usuários de cocaína.3) Síndrome de abstinência:sintomas marcadamente psíquicos:disforia,depressão,ansiedade,insônia,lentificação.-Início:algumas horas após a interrupção do consumo.- Duração:dias ou semanas. Contudo episódios de fissura (desejo súbito e intenso de utilizar a droga,associado à memória da euforia em contraste com o desprazer presente) podem acontecer meses depois após a interrupção.MACONHA:Representante das drogas perturbadoras,a maconha é derivada do cânhamo (cannabis sativa). A maconha ou “fumo” é a combinação de brotos,folhas,caules e sementes da cannabis,fumados em cigarros de fabricação caseira.1) Mecanismo de ação:atua em receptores canabinóides distribuídos pelo córtex,hipocampo,hipotálamo,cerebelo,complexo amigdalóide,giro do cíngulo anterior. Temos neurotransmissores canabinóides endógenos envolvidos em diversas funções,as quais são perturbadas pelo consumo de canabinóides. Ocorrem disfunções de apetite,humor,atenção,coordenação motora e de funções cognitivas superiores.2) Intoxicação aguda:além das disfunções supracitadas,podem ocorrer reações psíquicas com variável gravidade:reações ansiosas,depressivas,maniformes e paranóides (inclusive desencadear surtos psicóticos). à novamente aqui considerar questão da tela atômica,nos casos de alucinose.3) Síndrome de abstinência – controvérsias são superadas por algumas semanas de prática em uma Urgência Psiquiátrica,onde recebemos pacientes em sofrimentos devido à abstinência de cannabis.Tratamento:Vamos finalizar,de certa forma,por onde começamos. Podemos dizer que as vias da prevenção são bem próximas às do tratamento. Os recursos visam as raízes do problema:ü Farmacoterapia (das patologias de base e dos sintomas de abstinência e de intoxicação)ü Psicoterapia (das questões da personalidade)ü Estímulo à religiosidade – dentro da crença individual (lembramos da prática da prece e da meditação – facilitadores do acesso aos planos extra-físicos,como alternativa aos efeitos das drogas que forçariam esse acesso…)Vimos no início que trabalhos científicos demonstram a importância da religiosidade na prevenção e tratamento das doenças,inclusive das dependências. Mas como abordar o paciente? Pesquisas mostram duas situações:- Apesar de 77% dos médicos pensarem que a crença religiosa pode trazer benefícios aos pacientes,a maioria deles não sabe como chegar ao doente e introduzir a espiritualidade na conversa;- A maioria dos pacientes quer que os médicos abordem a questão da religiosidade.É necessário que se crie uma ponte entre as partes. E o profissional de saúde deve ter uma sensibilidade muito grande para tocar nesse assunto. Algumas recomendações são:apoiar a crença espiritual do paciente,não prescrever a religião para ateus,nem dar conselhos espirituais. Vontade:“Não há arrastamento irresistível. Uma vez que se tenha vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder.”(Questão 845 Livro dos Espíritos).Todos os recursos terapêuticos são importantes,mas a eficácia de todos eles dependerá sempre,da vontade da pessoa dependente.REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS1 – LIVRO DOS ESPÍRITOS – ALAN KARDEC2 – MEDICINA DA ALMA – JOSEPH GLEBER3 – CAMINHO,VERDADE E VIDA – EMMANUEL4 – DIAS GLORIOSOS – JOANNA DE ANGELIS5 – A ESPIRITUALIDAE NO CUIDADO DO PACIENTE – HAROLD KOENIG6 - JORNAL DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA7 – AS DORES DA ALMA – HAMMED8 – EM BUSACA DE SENTIDO – VICTOR FRANKLE9 – NO MUNDO MAIOR – ANDRÉ LUIZ10 – AÇÃO E REAÇÃO – ANDRÉ LUIZ11 – NOS DOMINIOS DA MEDIUNIDADE – ANDRÉ LUIZ12 – O LIVRO DE OURO DA MENTE – RITA CARTER13 – PRÁTICA PSIQUIÁTRICA NO HOSPITAL GERAL – NEURY JOSÉ BOTEGA à Trabalho apresentado no III Congresso de Saúde e Espiritualidade de MG,em agosto de 2008,na Faculdade de Medicina da UFMG,em Belo Horizonte,MG. (Carlos Eduardo Sobreira Maciel – carlos.amemg@hotmail.com )I – Estágios de Saúde“Saúde é a real conexão criatura/Criador,e a doença é contrário momentâneo de tal fato”(Joseph Gleber – “O Homem Sadio”) 1 – Saúde Fragmentada:Joseph Gleber,no livro “O Homem Sadio”,conceitua,como vimos,perfeitamente,saúde e doença. Joseph parte do princípio de que o hausto do Criador é Divina liberação de Amor em forma de energia e que esta se manifesta na vida de várias formas. Então teremos saúde quando nos harmonizamos com o Criador,no trabalho,na elaboração do conhecimento e na vivência íntima.Esta é a visão do mentor que consegue enxergar o ser humano de forma unicista,integral. Nós,como bebês espirituais que acabaram de abrir os olhos,temos uma visão limitada da vida e por isso enxergamos a saúde de forma fracionada,em partes,em estágios – vemos a saúde como um bem estar bio-psico-sócio-espiritual.2 – Danos da fragmentação:Temos o hábito de compartimentar tudo. Dividimos as coisas em partes,didaticamente,para estudá-las e compreendê-las. Na realidade parecemos crianças desmontando brinquedos,por curiosidade,e depois não conseguimos remontá-los. Aqui na Faculdade (de Medicina,onde foi apresentado o III Congresso…) nós estudamos o ser humano de forma desintegrada – embriologia,fisiologia,anatomia,farmacologia,patologia – tudo separado. E num continuum deste costume,fizemos residências em diversas especialidades. Ao contrário de antigamente que havia um médico que cuidava de tudo,hoje cada especialista cuida de uma parte – é médico disso,daquilo e ‘daquiloutro’. Se temos uma separação do ser humano em partes,na saúde mental há um aprofundamento desta separação. Na psiquiatria os aspectos biológicos,sociais,ocupacionais,psicológicos,políticos,jurídicos e culturais são marcantes. E ainda há a questão espiritual.A psiquiatria,mais do que qualquer especialidade,tem interfaces com todas estas áreas e com a realidade espiritual – muitas vezes aquilo que parece delírio ou alucinações é uma experiência mediúnica ou um processo obsessivo,e vice-versa. A fragmentação aqui é ainda maior. Enfim,compartimentamos a saúde,o estudo da saúde e o cuidado com os pacientes. O lado bom é que aprofundamos tanto que sabemos muito de uma parte. Mas há danos – temos dificuldades em visualizar o todo de uma forma integrada e há comprometimento na comunicação entre os diversos especialistas médicos e entre estes e os outro profissionais da área de saúde:terapeutas ocupacionais,psicólogos,fisioterapeutas,etc. Isso resulta em prejuízo para o próprio paciente. Vejamos o que pode acontecer:Numa fila do SUS uma paciente de uma dor abdominal que lhe incomoda,sem explicação,há dias,com uma senhora também paciente da mesma fila. Queixava-se porque vários especialistas haviam lhe examinado e ninguém descobria o seu problema. Nos últimos dias,desde que sua dor havia começado,a paciente tinha passado em três especialistas. O gastroenterologista diagnosticou refluxo gastro-esofágico. O neurologista diagnosticou uma dor irradiada provocada por um pinçamento de um nervo na coluna torácica. E finalmente,o meu colega psiquiatra falou que aquela dor era somatização – de fundo emocional. Mas a dor continuava… Então a senhora,que escutava pacientemente,perguntou:“ Você comeu alguma coisa hoje?”. A paciente respondeu que não comia há dias porque estava sem dinheiro… A senhora:“Oh minha filha… vem cá que lhe dou um prato de comida… sua dor é fome!”. Nunca me esquecerei desta história,quadro de crítica do grupo teatral do qual eu participei por alguns anos aqui na escola.3 – Percepção integral:Precisamos então,abrir os olhos e ouvidos para perceber o ser humano de uma forma integral. Mas não digo apenas de uma humanização do médico que deverá considerar todas as partes,mas que deveríamos tentar resgatar um diálogo entre todos os terapeutas para melhor cuidar da pessoa.Cito aqui um exemplo desta tentativa,que se faz no Hospital Espírita André Luiz,onde os terapeutas (médicos clínicos,homeopatas e psiquiatras,TOs,psicólogos,assistentes sociais,enfermeiros e voluntários do Departamento de Assistência Espiritual) tentam “colar” as partes do sujeito através de um trabalho interdisciplinar. Esta retomada da visão holística do ser é uma das propostas médico-espíritas,porque todo trabalho terapêutico que não consiga ver o homem como um conjunto de espírito e matéria,oferecerá somente paliativos ao homem que em breve retornará ao seu estado doentio.4 – Níveis de saúde:Voltando ao livro “O Homem Sadio”,Joseph fala também de estágios de saúde sob um outro ponto de vista. Vimos a saúde fragmentada em estágios – de forma horizontal. Mas há também uma visão vertical. Cada pessoa estaria em uma posição com mais ou menos saúde,mas buscando receber alta das enfermarias do planeta Terra.Sob este ponto de vista podemos pensar o seguinte:que há estágios da saúde,diversos níveis,como uma escada que nos leva da doença mais severa ao topo da escada – saúde plena,local onde não mais precisaremos reencarnar para drenar no corpo físico,os núcleos adoecidos do corpo espiritual.No topo da escada reencontraremos a Luz,da qual nos desviamos voluntariamente… Nesta escada da saúde,os primeiros degraus seriam aqueles das graves patologias psiquiátricas,as psicoses,onde existem lesões profundas no corpo mental. Mais acima teríamos as doenças afetivas e suas lesões em corpo astral. Subindo,lesões físicas de várias formas.5 – A relatividade entre os estados – saúde e doença:Independente do local,ou degrau onde nos encontramos,independente da doença,dificuldade ou prova que tivermos,expressaremos mais ou menos saúde,de acordo com a nossa postura diante da dor. Dentro desta perspectiva,abro aqui,neste momento,um espaço para refletirmos mais cuidadosamente sobre os conceitos de saúde e doença.Essa reflexão é importante porque ao tomarmos consciência desta relatividade,poderemos então,com mais segurança,dar mais um passo – pensar nos recursos que podemos utilizar para ‘subir a escada’.II – Reflexão sobre Saúde e Doença – Revendo Posições e Reconhecendo Estágios“Coragem são as asas da alma. Coragem não é ausência do medo. É lançar-se,a despeito dele.” (Rubem Alves – “Concerto para Corpo e Alma”)– Veremos aqui que a saúde seria a força dessas asas. Não seria a ausência da doença. Seria lançar-se,a despeito dela…1 – Introdução:a medicina muitas vezes tem uma postura estreita em relação ao homem,enxergando-o de forma reducionista,como um amontoado de células,as quais retratam a doença quando não funcionam bem. Mas podemos perceber,utilizando o modelo da escada ou estágios,que estes estados de saúde e doença podem se confundir. E nossa percepção está ampliada para este tipo de coisas,porque o momento da humanidade é de descobertas mais profundas em que o indivíduo se encontra consigo mesmo,num processo de auto-descobrimento ( via psicoterapia,por exemplo) e de conscientização da realidade da dimensão extra-física (via vivências diretas ou indiretas com a espiritualidade). Então,diante dessas duas experiências,temos melhores condições para repensar conceitos antes cristalizados pela escassez de conhecimentos.2 – Desfazendo rótulos e preconceitos: # Normal x Anormal:Muitas vezes nos equivocamos ao rotularmos esta ou aquela pessoa como doente,incapaz,inválido. Do hábito de segregar minorias ou diferentes surgem os preconceitos raciais,sexuais,culturais,relativos à idade,etc.Padrões de comportamento ou funcionamento do organismo,dito sadio,são estabelecidos,construídos a partir do desenvolvimento científico,a partir de dados da cultura e do comportamento do próprio observador. Aqui percebemos a fragilidade desses padrões,já que os conceitos de normal e anormal são relativos,do ponto de vista cultural e histórico.Acho muito interessante um texto do Rubem Alves,chamado ‘Sobre violinos e rabecas’,do livro “Concerto para corpo e alma”. Fala exatamente disso,dos nossos equívocos em relação às diferenças. Fala das deficiências (físicas ou mentais),lembrando que deficiência vem do latim deficiens,deficere,que quer dizer “ter uma falta”,“aquele que não consegue fazer”.É incrível o alcance do preconceito. Quando nasce uma criança,dizemos “Graças a Deus é perfeita!”. E do contrário “Meu Deus… tem um problema…é doentinha…. será incapaz….limitada…imperfeita.” Nossa arrogância nos faz selar o destino alheio. Como assim “perfeito!” ou “imperfeito!” ? Quem aqui é perfeito,sem limitações ou iguais uns aos outros? E nossas limitações? E nossas diferenças? É claro que existe o sofrimento da dor,da limitação,da incapacidade mais proeminente. Mas a dor terrível mesmo é a provocada pelo olhar das pessoas:“Você é diferente!”. Igualdade é coisa que todos desejam.Desde pequenos “aprendemos” a distorce o olhar. As crianças querem ser iguais. Daí a importância de ter o brinquedo que todos têm. A menina que não tinha a barbie era deficiente,estava excluída das conversas. O menino que não tivesse o “bichinho eletrônico” que todos tinham era diferente… e os pais,mesmo sabendo que o brinquedo era uma bobagem,para que o filho não sentisse a dor da exclusão,davam o bichinho! Adolescentes usam tênis da mesma marca,camisetas da mesma grife,fazem todos as mesmas coisas,falam todos as mesmas palavras que só eles entendem. Ai daquele que falar palavras da linguagem dos pais – é um ET!Desde pequenos aprendemos que o diferente não faz parte do grupo. Mas ser igual é fácil. Basta deixar-se levar pela onda,fazer o que todos fazem. Não precisa tomar decisões. As decisões já estão tomadas. É só seguir a onda. Mas o “diferente”,o “deficiente”,o “doente”,aquele que tem uma limitação maior está sozinho. Não existe nenhuma onda que o leve. Cada movimento é uma batalha. São como os jardins – há alguns que se fazem por atacado. Basta comprar as plantas no Ceasa. As plantas são produzidas em série. São jardins bonitos,feitos com plantas produzidas em série,todas iguais. Mas existem jardins,como pessoas,que nascem das pedras,na solidão.São algumas horas de caminhada,através da mata que se abre para a pedra esculpida por milênios de água e vento. De repente aparece o jardim:orquídeas,musgos e flores!As pessoas são assim. Há as produzidas que parecem diferentes,originais,mas são todas iguais. E há aquelas que brotam da rudeza das pedras,com uma beleza que é só sua. Rubem Alves tem um amigo Gramani,amigo rabequista. Rabeca é um violino portador de deficiência. Há muito violino fino sem deficiências que só desafina. Nas mãos de Gramani uma rabeca feita de bambu gigante,deficiente,toca Bach maravilhosamente! Pois assim são as pessoas…# Juventude X Senilidade:Mais um equívoco. Confunde-se idade avançada com doença. Não podemos desconsiderar a fragilidade do corpo,com o seu envelhecimento,fruto do tempo do corpo vital,mas o bom uso de pouca energia pode resultar em muita saúde,distanciando o idoso daquilo que chamamos enfermidade. Trago aqui um exemplo que ilustra muito bem esta situação – Minha avó perdera 2 filhas ainda jovens,uma delas de forma trágica. Passou muito aperto na vida e nunca deixou de lutar para educar os filhos,como costureira.Hoje,aos 85 anos é uma pessoa que irradia saúde da melhor forma possível,através de sua alegria,boa vontade e disposição…Quando eu a examino em alguma situação,eu acabo lhe dizendo que “isso é coisa da idade,vó”. E ela sempre retruca: “ velha é a sua avó,menino…eu estou ótima”. E é “cabeça dura”. Acha que tem 20 anos. Outro reclamava de dores nas costas. “O que a sra andou aprontando vó?”. “Eu passei uma cerinha no chão.”. “Vó,a sra não tem mais 20 anos…”. “ Ah,‘tá bom… é uma dorzinha divertida!”. Apesar da idade e do corpo cansado pelo tempo,ela é a prova viva de que saúde não é necessariamente,o contrário de idade.Pessoas como a minha avó são o oposto daqueles que olham com tristeza para a folhinha do calendário na parede,a qual vai ficando cada vez mais fina. Pelo contrário,vão destacando cada folha do dia que passa e guardam cuidadosamente. Que lhe importam envelhecer? Terão razão para invejar os mais jovens? Pelas possibilidades que tem os mais jovens? Essas pessoas nos ensinam agradecendo que em vez de possibilidades,elas tem realidades. Do trabalho realizado,do amor compartilhado,e até das dificuldades enfrentadas com trabalho e fé!Quando vejo essas pessoas,desejo com admiração ser um dia assim também. Mas para quê esperar a escassez da vida física para agir de maneira mais sábia? Esse é o questionamento que Dráuzio Varella faz em seu livro “Por um fio”. Ele se espantou ao perceber,em sua experiência como oncologista,que cada vez mais muitos de seus pacientes encontravam novos significados para a existência ao senti-la esvair-se,a ponto de adquirirem mais sabedoria e viverem mais felizes que antes. Daí a sua reflexão:“Será que se esforçarmos não conseguimos aprender a pensar e agir como eles enquanto temos saúde?”.# Terapeuta X Paciente:Muitas vezes nós,profissionais da área de saúde,temos à nossa disposição,recursos para cuidarmos de nossa saúde,os quais ficam esquecidos,de lado… Na realidade temos um arsenal de recursos que se não for bem aproveitado,acaba nos gerando adoecimento – como uma água parada!O espírito Inácio Ferreira,no livro “Na Próxima Dimensão”,comente sobre as conseqüências do desperdício de oportunidades,nos auxiliando a derrubar nossas máscaras de pseudo-poder que muitas vezes utilizamos ao ocuparmos este lugar de “cuidadores da saúde”. A partir de sua experiência no Hospital existente no plano espiritual,repleto de espíritas,próximo ao Sanatório Espírita de Uberaba,ele fala que não sabe porque tantas pessoas ao se tornarem espíritas,julgam-se privilegiadas. A doutrina nos torna conscientes de nossas enfermidades,porém a tarefa da auto-cura ainda nos pertence,pois a simples condição de adepto do Espiritismo não isenta ninguém de suas provas.O mesmo acontece com os terapeutas. Inácio exemplifica com a sua própria história como médico no plano físico – ele conta que pensou que chegaria no plano espiritual com duas asinhas e que na realidade chegou se arrastando e ainda não tinha se colocado de pé.Muitas vezes me perguntei porque nos teria sido dada a oportunidade de cuidar da saúde de outras pessoas,de sermos médicos,terapeutas,se estamos todos,de certa forma,doentes? Não seríamos cegos conduzindo cegos? A resposta a essa pergunta talvez possa ser encontrada em Mateus,Cap IX,vv 10 a 12:“Estando Jesus à mesa em casa desse homem (Mateus),vieram aí ter muitos publicanose gente de má vida,que se puseram à mesa com Jesus e seus discípulos;o que fez comque os fariseus,notando-o,dissessem aos discípulos:Como é que o vosso mestre comecom publicanos e pessoas de má vida? Tendo-os ouvido,disse-lhes Jesus:Não são os quegozam de saúde que precisam de médicos.”(Mateus,Cap IX,vv 10.)Assim podemos compreender porque temos a oportunidade de sermos terapeutas,mesmo doentes. Jesus se acercava,principalmente,destas pessoas porque eram o que mais necessitavam. As oportunidades são dadas àqueles que são necessitados. Então somos terapeutas,não para curarmos alguém ou porque somos escolhidos,mas para nos curarmos.Alguns mentores da Associação já jogaram luz nessa questão ao afirmarem que a diferença de posições,entre nós (do outro lado da mesa) e os nossos pacientes,existe por uma questão de boa vontade de nossa parte,pois nossas faltas pretéritas – geradoras de adoecimento – são muito parecidas com as deles. Eis então,mais uma vez,a relatividade daquilo que chamamos pacientes e terapeutas,doença e saúde.Lembro-me agora do bem que nos faz,a convivência com um paciente meu,morador do HEAL. Por razões éticas vou chamá-lo aqui de ‘Titio’,pois é assim que ele muitas vezes nos chama:Titio. Ele tem uma gravíssima doença psiquiátrica (esquizofrenia hebefrênica),com a qual a pessoa fica muito regredida,pueril e desorganizada. Considerando o modelo da escada,de J. Gleber,dos níveis de saúde,a hebefrenia estaria nos primeiros degraus. Mas a presença do Titio em nossas vidas,no trabalho,dão um colorido diferenciado. Podemos dizer que é uma benção dupla. Primeiro,porque nos mostra o quanto podemos nos adoecer ao nos afastarmos,voluntariamente,de um caminho que nos asseguraria paz e saúde (temos conhecimento,via captação mediúnica do seu grave passado). Por outro lado,o seu sorriso imenso e seu jeito de criança nos re-posiciona naturalmente,despertando em nós,sentimentos tão bons e cuidados verdadeiramente maternais! Fico impressionado de ver como uma pessoa tão adoecida produz tanto amor à sua volta. Parece contraditório,mas na realidade é uma grande prova da Misericórdia Divina!III – Recursos para a Subida (Mudando de estágios…)“…o espírito encarnado,a fim de alcançar os altos objetivos da vida,precisa reconhecer sua condição de aprendiz…a doença e a saúde do corpo são condições educativas de imenso valor para os que saibam aproveitar o ensejo de elevação em sua essência legítima…é imprescindível muito cuidado para que as posições transitórias não paralisem os vôos da alma. Guarda a retidão de consciência e atira-te ao trabalho edificante;então,a teus olhos,toda situação representará oportunidade de atingir ‘o mais alto’ e ‘o mais além’.” (Emmanuel – “Caminho,Verdade e Vida”,pg 279)1 – Auto-conhecimento:“Conhece-te a Ti Mesmo”,é a célebre frase inscrita no portal do templo de Delfos,na antiga Grécia. Sócrates dedicava dias na reflexão desta frase,junto aos seus discípulos tentando lhes mostrar a importância do auto-conhecimento. Séculos depois,Santo Agostinho,no Livro dos Espíritos,retomava essa frase para falar sobre evolução. Nos últimos anos temos J. Gleber,no Livro Medicina da Alma,afirmando que o aprimoramento dos recursos terapêuticos na Terra,nos conduzirá cada vez mais ao conhecimento de nós mesmos e que isso será o principal recurso para reconhecermos o nosso verdadeiro papel na preservação,recuperação ou conquista da saúde. Então,o que vemos é o “conhece-te a ti mesmo” atravessando os tempos e as diversas culturas,nos conduzindo cada vez mais na direção da auto-cura!2 – Auto-aceitação:dentro do processo de auto-conhecimento poderemos dar mais um passo – a auto-aceitação. Ao nos depararmos com espelhos internos,faremos contato com o que Jung,em 1945,chamou de Sombra. O lado sombra seria “a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser”,o lado negativo da personalidade,a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder,o lado inferior,sem valor,e primitivo da natureza do homem,a “outra pessoa” em um indivíduo,seu próprio lado obscuro. Se nos aceitarmos integralmente,respeitando nosso ritmo pessoal na caminhada evolutiva adotaremos uma posição salutar,evitando a utilização de máscaras de perfeição que só nos travam a caminhada.É adoecedor pleitear a rápida e instantânea transformação do homem em anjo,num desejo febril de auto-santificação,desrespeitando as manifestações da alma humana. As mudanças são lentas e profundas. Modificações superficiais nestes ou naqueles aspectos do comportamento humano não modificam as raízes mais profundas. O fato de identificarmos e sabermos que as doenças são reflexos de nossos desvios do passado nos ilumina a consciência. Mas este conhecimento muitas vezes se torna motivo para uma auto-tortura,como se fossemos obrigados à mudança imediata. Mudanças baseadas em repressão de impulsos não tem condições de subsistir diante dos desafios cotidianos que exigem de nós maturidade.“Uma pessoa não se torna iluminada ao imaginar formas luminosas,mas sim ao tornar consciente a escuridão.” (Carl Gustav Jung)A sombra é a escuridão no interior do ser,e nesse interior escuro há um tesouro escondido. É necessário o auto-conhecimento para que este tesouro seja descoberto. 3 – Fé e Trabalho:Na primavera de 1942,o cientista J. Gleber se recusou a colaborar na construção da bomba atômica. Por esse motivo foi cremado vivo junto com a sua família,pelos nazistas.Possivelmente naquele momento tomou consciência da relatividade do que se convencionou chamar doença e saúde. Abrira mão da plenitude da saúde – a própria vida – evitando que milhares de pessoas fossem exterminadas pelo nazismo.Joseph até hoje afirma que se alegra por haver tomado aquela decisão,agindo de acordo com a sua crença em valores eternos. Teve paz na consciência com a certeza do dever cumprido.Estes valores guardados em nossas memórias,estejamos encarnados ou não,sempre serão traduzidos em saúde.Retomo agora a história da minha avó que quando questionada sobre como conduziu a vida após ter sofridos as grandes perdas na vida,me respondera que a sua fé e o seu trabalho,a certeza do dever cumprido sempre lhe deram forças para seguir em frente. 4 – Pensar e Sentir:A gratidão que sinto pelo Chico Xavier existe,em parte,porque com a sua própria vida ele nos ensinou sobre importantes recursos para subirmos alguns degraus da escada da saúde. Ele tinha no seu entorno vários elementos que compõe um estado doentio,sob vários aspectos -havia escassez de saúde física,de recursos financeiros,de estrutura familiar,de escolaridade. Ele então provou que é possível se deslocar verticalmente através do agir,do pensar e do sentir.Para compreendermos o mecanismo desses recursos é só lembrar da existência do perispírito e dos seus corpos sutis (conhecimento bastante difundido nas culturas orientais mais antigas,confirmado na obra de André Luiz).Quando estudamos o corpo mental e o corpo astral,envolvidos respectivamente com os pensamentos e os sentimentos,percebemos que o ser humano movimenta uma grande quantidade de energia nestes corpos mais sutis. Dessa forma nossas idéias,pensamentos,emoções e sentimento são irradiados,se espalham em torno de nós,ficam gravitando no nosso entorno e impregnam o nosso meio e a nós mesmos. Então,mesmo doentes,com dores,limitações,podemos expressar saúde,pois todo pensamento e emoção de natureza elevada representam forças que podem nos vitalizar,influenciar as células do perispírito e do corpo físico,amenizar nossas enfermidades e quem sabe,nos curar. Possivelmente isso tudo se dá através dos Bióforos. No livro “Evolução em Dois Mundos”,André Luiz explica como isso se processa:“…cabendo,pois,ao homem responsável reconhecer a hereditariedade relativa mas compulsória lhe talhará o corpo físico de que necessita em determinada encarnação,não lhe sendo possível alterar o plano de serviço que merecem ou de que foi incumbido,segundo as suas aquisições e necessidades,mas pode ,pela própria conduta feliz ou infeliz,acentuar ou esbater a coloração dos programas que lhe indicam a rota através dos bióforos ou unidades de força psicossomática que atuam no citoplasma,projetando sobre as células e,conseqüentemente,sobre o corpo os estados da mente,que estará enobrecendo ou agravando a própria situação,de acordo com a sua escolha do bem ou do mal.” (André Luiz – “Evolução em Dois Mundos”)Lembramos aqui da possibilidade de agravamento de nossa situação no processo de irradiação negativa quando encontramos outras mentes que nos ajustam em processo de sintonia,gerando processos obsessivos. 5 – Escolha de atitude diante da compreensão do “Porque” e “Para que” adoecemos:Quando nos são reveladas as respostas à essas perguntas,somos convidados a assumir uma postura de resignação e sabedoria diante das dificuldades,sofrimentos e enfermidades.E se assim o fazemos,temos em mãos um valioso recurso para mudarmos de estágio de saúde. Sábio seria se aceitássemos essas dificuldades como o que verdadeiramente são:- 1º Oportunidades de reequilíbrio do corpo espiritual através da drenagem de núcleos adoecidos (eis aqui porque adoecemos – faltas pretéritas,em relação às leis universais,lesionam nosso perispírito que no processo reencarnatório impressionam o DNA do corpo físico que utilizaremos).- 2º Oportunidades de revisão de posicionamentos diante da vida (aqui temos a síntese do para que adoecemos – para que possamos transformar nossas existências. As dificuldades são cercas colocadas pela Providência Divina em torno de nós,impedindo maiores quedas que gerariam séculos de dores e lutas nas expiações futuras.Entretanto temos que nos lembrar de que vivermos as dificuldades e compreendermos as suas causas e para qual direção elas nos apontam não é sinônimo de elevação espiritual. A subida de mais um degrau na escada da saúde dependerá da postura adotada pela criatura diante da dificuldade,dependerá da utilização daquilo que Viktor Frankl chamou de “a última liberdade humana”:“Uma das formas de descobrirmos o sentido da vida seria através da atitude que tomamos em relação ao sofrimento. Podemos encontrar sentido na vida quando temos a oportunidade de dar testemunho do potencial especificamente humano no que ele tem de mais elevado,e que consiste em transformar uma tragédia pessoal num triunfo,em converter nosso sofrimento numa conquista humana (…) A última liberdade humana é a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias. Capacidade de erguer-se acima de todo o sofrimento”. (Viktor Frankl – “Em Busca de Sentido”)Em 1945,o psiquiatra Viktor Frankl escreveu,em 9 dias,o livro “Em Busca de Sentido”,fruto de sua experiência durante longo tempo em campos de concentração.Ele escreveu o livro com a intenção de transmitir às pessoas,através do seu próprio exemplo concreto,que a vida tem um sentido potencial sob quaisquer circunstâncias,mesmo as mais miseráveis. A maior parte de sua família morreu nos campos de concentração. Ele perdeu tudo o que era seu,todos os seus valores,sofreu de fome,frio e da brutalidade,esperando a cada momento a sua exterminação final. Mesmo assim conseguiu encarar a vida como algo que valia a pena preservar.Podemos aprender muito com este fragmento auto-biográfico que este livro representa. Frankl percebe o que o ser humano faz quando subitamente compreende que não tem nada a perder senão sua existência. Observa o surgimento de estratégia de preservação do que resta de vida,apesar das chances de sobreviver serem pequenas. Fome,medo,humilhação e profunda raiva das injustiças dominadas graças às imagens sempre presentes de pessoas amadas,graças ao sentimento religioso,a um amargo senso de humor e até mesmo graças às visões curativas de belezas naturais – uma árvore ou um pôr-do-sol. Frankl tem uma visão surpreendentemente positiva da capacidade humana de transcender suas situações de dor e sofrimento,doenças,dificuldades,a partir da postura assumida por ele e por muitos dos seus companheiros. Ele conta que a única coisa que sobra é “a última liberdade humana”.Então,quando não somos capazes de mudar uma situação – podemos como exemplo pensar numa doença incurável,como um câncer que não se pode mais operar,somos desafiados a mudar a nós próprios.Portanto as dores atuam com bússolas que nos indicam o caminho a ser percorrido para a reconstrução daquilo que no passado nós contribuímos para a desarmonização.Lembramos que este tipo de dor não está nos planos originais da Consciência Divina em relação aos seus filhos. Resulta unicamente da colheita obrigatória daquilo que plantamos. A dor tem o papel de despertar alma para a necessidade do aperfeiçoamento,mas só o Amor poderá elevar a criatura aos planos elevados da vida,onde haverá a reconexão tão esperada com o Pai!à Trabalho (desdobramento do “Psicose – uma visão médico-espírita”) apresentado em reunião pública na sede da AMEMG,em Belo Horizonte,MG. (Carlos Eduardo Sobreira Maciel – carlos.amemg@hotmail.com )“O espiritismo e a ciência se completam reciprocamente;a ciência,sem o espiritismo,se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria;ao espiritismo,sem a ciência,faltariam apoio e comprovação” KARDEC (“A Gênese” pg20) I – CONCEITOS:as definições encontradas em um dicionário da língua portuguesa são as seguintes:“loucura é insanidade mental” e “mediunidade é a comunicação entre espíritos e vivos através do médium”. Embora não sejam equivalentes muitas vezes são confundidas tanto no meio médico como no religioso não espírita. Já se ouviu dizer,nesses meios,que a mediunidade é uma forma da loucura,onde as alucinações auditivas (ouvir as vozes dos espíritos) e idéias delirantes acreditar que se tem o “poder” de conversar com os mortos) estão presentes. Há casos de médiuns que buscam o serviço psiquiátrico devido às manifestações tidas como patológicas{CASO I (HEAL):Pcte 16a medicado no IRS como psicótico,pois estaria em pleno surto;não houve solução para o problema até que curiosamente um padre amigo da família desconfiou que se tratava de um problema espiritual e o aconselhou a procurar uma casa espírita} e de psicóticos são equivocadamente encaminhados à mesa mediúnica{CASO II (HEAL):pcte de 23a com sintomas de alteração do pensamento,com relativa preservação da vida social e profissional;quando solicitado orientação espiritual para a mesma em reunião mediúnica,suspeitando de quadro mediúnico com obsessão espiritual,o mentor recomendou que procurassem um psiquiatra. Na evolução do caso houve deterioração do quadro,c/ acentuado prejuízo social e profissional,e síndrome psicótica confirmada}. Portanto faz-se necessário um aprofundamento nestes temas,a partir de seus conceitos mais elaborados,os quais são encontrados na literatura específica sobre cada assunto (literatura médico-psiquiátrica e literatura espírita),para que se faça a distinção entre loucura e mediunidade. I.1 – MEDIUNIDADE:(melhor referência é o Pentateuco kardequiano) segundo informação colhida em trecho do “Livro dos Espíritos”,em sua introdução ao estudo da doutrina espírita,“as comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas ocorrem pela influência boa ou má que exercem sobre nós sem o sabermos;cabe ao nosso julgamento discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita,da palavra ou outras manifestações materiais,muitas vezes por médiuns que lhe servem de instrumentos” (eis a mediunidade). I.2 – LOUCURA:(referência OMS-Cid 10) Loucura do ponto de vista médico psiquiátrico seria encontrada sob as formas de psicose,esquizofrenias,paranóia,dentre outras. Considerando o carro-chefe destas patologias,o grupo das esquizofrenias,temos: # distorções profundas do pensamento:delírios;eco do pensamento;inserção ou roubo do pensamento;irradiação do pensamento;intercepções no curso do pensamento resultando em discurso incoerente,irrelevante ou neologismos, # alterações da percepção:alucinações – do latim alucinare,significa etimologicamente dementado,enlouquecido,privado da razão – auditivas,visuais,cenestésicas,cinestésicas,gustativas,olfativas,táteis, # alterações afetivas:embotamento,inadequação,labilidade. Afeto embotado associado à pobreza de discurso,retraimento social são chamados sintomas negativos. # alterações comportamentais:catatônicas,tais como excitação,postura inadequada ou flexibilidade cérea,negativismo,mutismo;bizarrices;risos imotivados;solilóquios. # alterações das características da “consciência do Eu”,funções psíquicas que dão à pessoa normal um senso de individualidade,unicidade e de direção de si mesmo. Embora a consciência se mantenha clara e a capacidade intelectual mantida,certos déficits cognitivos podem surgir ao longo do tempo. Importante para diferenciar da mediunidade I.3 – LOUCURA:referência – obras subsidiárias espíritas: O mentor Homero,em orientação espiritual dada a AMEMG no dia 29-07-2002,nos explica que “… para a compreensão dos transtornos psicóticos,o tema reencarnação é de fundamental importância (…) o conhecimento da reencarnação,associado a etiopatogenia espiritual,dá-nos a clareza da gravidade dos atos dos homens,os quais hoje passam pela prova das psicoses e ainda de uma forma especial da esquizofrenia (…) o espírito teimando em se posicionar por períodos longos de sua vivência,em atitudes de orgulho,poder e crueldade,cria um campo psíquico que se torna terreno propício para as psicoses”. Em orientação espiritual recebida no dia 11-11-2002,o mentor Carlos explica que a construção do pensamento delirante se dá “… quando o Ser encontra-se em situação de desequilíbrio e retorna para as fases anteriores do desenvolvimento …” gerando “pensamentos arcaicos ou primitivos …a criatura regride a primitividade dos pensamentos da infância … retoma experiências pessoais,lembranças reencarnatórias”. ( obs:quadros de hebefrenia,paranóia e etc.) Encontramos esclarecimentos também sobre as alterações sensoperceptivas em 9-9-2002,orientação espiritual do mentor Homero:“… as imagens (alucinações) pertencem basicamente a duas origens … a primeira delas se reporta às suas vivências (compatível com o passado do paciente),onde a culpa,medo e ódio saem do campo do inconsciente e fazem projeção dentro do processo psicótico … a segunda ocorre com o surgimento de imagens oníricas (são pesadelos),ocorridas no processo de alienação,em que o portador do transtorno sai do contato com sua vida real e se abriga num mundo à parte,onde as imagens não têm ligação com experiências passadas (…) as alucinações mais ricas tanto em detalhes quanto numa construção aparentemente lógica estariam no primeiro grupo. Enquanto que,os processos muito desagregados estariam no segundo”. Aqui lembrar do conceito pobre de alucinação “percepção sem objeto” e alucinoses,do ponto de vista espiritual. Explicação do Dr Bezerra (Loucura e Obsessão) sobre a formação da doença esquizofrênica:“A esquizofrenia é enfermidade muito complexa… suas origens profundas se encontram ínsitas no Espírito que delinqüe. A consciência individual quando desencarnada,se descobre em delito e engendra mecanismos de auto-reparação… a consciência individual imprime,nas engrenagens do perispírito,os remorsos e turbações,os recalques e conflitos que perturbarão os centros do sistema nervoso…” Vemos portanto que o Espiritismo não faz desaparecer as esquizofrenias colocando-as junto da mediunidade bem como a psiquiatria não inclui o médium no grupo de esquizofrênicos,já que os médiuns não apresentam todo o quadro sintomatológico necessário para se diagnosticar a doença esquizofrênica. I.4 – “Reconsideração da mediunidade”:na 10a edição da Cid 10,os fenômenos mediúnicos já não são considerados ‘loucura’,mas sim transtornos de transe e possessão,transtornos nos quais há uma perda temporária tanto do senso de identidade pessoal quanto da consciência plena do ambiente;em alguns casos,o indivíduo age como se tomado por uma outra personalidade,espírito,divindade ou “força”. Como visto,teoricamente não há igualdade entre mediunidade e loucura,mas na prática pode haver semelhanças. II – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:este termo é usado em indivíduo apresenta um quadro de sinais e sintomas que apontam para duas ou mais possibilidades e diante disto tentamos “encaixar” o quadro em questão nas diversas possibilidades através de comparações e diferenciações. No exercício da psiquiatria e na prática espírita muitas vezes nos deparamos com estas situações em que há possibilidade de tratar-se de um caso de eclosão mediúnica ou surto psicótico? Geralmente o médium,com todos o ‘sintomas’ próprios da eclosão mediúnica tais como ver ou ouvir espíritos,permanece com a crítica da realidade e expressão afetiva preservadas,sem declínio de sua vida social,familiar e profissional,o que não ocorre com o psicótico. Este apresenta uma quebra em sua linha de vida,“passou a ser outra pessoa e nunca mais voltou ao que era antes…”,relatam familiares. Caso não consigamos diferencia-los buscamos o auxílio da orientação em reunião mediúnica. III – LOUCURA e OBSESSÃO:no aprofundamento do estudo da etiopatogenia da loucura,não se pode mais descartar as incidências da obsessão. O espírito Manoel Philomeno De Miranda,no livro “Loucura e Obsessão”,esclarece que o Espiritismo não nega a loucura e as causas detectadas pelos pesquisadores do passado e do presente,mas acrescenta que a doença mental permanece como um grande desafio para todos aqueles que se empenham na compreensão da sua gênese,sintomatologia e conduta. O mentor chama a atenção para a necessidade de melhor identificarmos a fronteira divisória entre os episódios psicopatológicos e os obsessivos. Dentro desta perspectiva devemos sempre considerar a co-morbidade loucura e obsessão e ainda os quadros de obsessão pura. Caso Antenor:“obsesso,tomado por crises de loucura iniciadas com cefalalgias violentas,que o levavam a convulsões de aparência epiléptica,culminando na apatia quase total,quando subjugado pelos cobradores” Caso III (HEAL):rapaz de 19 a,com crises de agitação psicomotora e heteroagressividade,intercaladas com períodos de plena sanidade mental. DD com epilepsia temporal e psicose,dentre outros. Não se caracterizou como quadros médicos puros. Detectada grave obsessão,subjugação com mudança na tonalidade da voz e na força física do obsediado. Caso Carlos:paciente portador,segundo os médicos,de esquizofrenia catatônica. Dr. Bezerra De Menezes,no plano espiritual,examinou o paciente,auscultou-lhe os registros psíquicos,mergulhando nos arquivos perispirituais,elucidou que o diagnóstico psiquiátrico era exato. Esclareceu ainda que havia além da doença,processo de resgate de faltas graves,a presença de alguns adversários espirituais que se lhe vinculavam,como cobradores impenitentes. O que se observa é um altíssimo índice de obsessão espiritual em casos de psicose. Encontramos uma explicação para a grande incidência de patologias mentais concomitantes às obsessões espirituais em um artigo do Dr Roberto Lúcio,na revista Delfos,Ano IV,Ed. 3,Número 18:“… a obsessão é um processo de afinidade mental negativa e o portador de doença mental é sempre uma antena emissora e receptora estragada que atrai entidades espirituais doentias para si…”. IV – TRATAMENTO: à Esquizofrenias:tratamentos biológicos (psicofármacos e eletroconvulsoterapia) e tratamento psicoterápico. * ECT:introduzida em 1938;eficácia e segurança claramente estabelecidas;controvérsia ideológica trazida pelo movimento antipsiquiátrico e pelos presumíveis efeitos deletérios (nunca comprovados) sobre o cérebro;consiste na aplicação de uma série de estímulos elétricos para desencadear uma crise convulsiva,com duração de 25 segundos de manifestações motoras ou 20 segundos de manifestações eletroencefalográficas com finalidades terapêuticas;riscos:a mortalidade associada à ECT é a mesma associada à anestesia geral para uma pequena cirurgia (1 morte para 10000 pacientes tratados). * Em “No Mundo Maior” (cap.7) o mentor Calderaro explica a André Luiz que “a medicina atual vem utilizando a terapêutica do choque…o choque elétrico constitui apelo vivo aos centros do organismo perispirítico,convocando-os ao reajustamento e compelindo os neurônios a se readaptarem para o serviço da mente em processo regenerador” * O mentor Rafael,em orientação espiritual do dia 16-12-2002,fala de uma possibilidade psicoterápica “no sentido da não-violência,no sentido da valorização da paz,do reaprendizado do toque carinhoso,do gesto amigo,do sorriso de alegria e de fidelidade” já que é visível “nível de crueldade que demarcou por diversas vezes,a caminhada dos irmãos (psicóticos)”. à Mediunidade:desenvolvimento mediúnico em casa espírita. Em “Evolução Em Dois Mundos” (cap. Mediunidade e Corpo Espiritual),André Luiz nos lembra que “a mediunidade é faculdade inerente à própria vida … a qual requisitará aprimoramento da personalidade mediúnica e nobreza de fins,para que o corpo espiritual,modelando o corpo físico e sustentando-o,possa igualmente erigir-se em filtro leal das esferas superiores…” à Obsessão: tratamento desobsessivo. Divaldo Pereira Franco (“Saúde e Espiritismo”,AME-Brasil,cap. Desobsessão e Terapêutica de Amor”),relata que “o tratamento desobsessivo terá que se dar no interior para o exterior mediante a renovação do próprio paciente,quando se resolve pela mudança de atitude mental e conseqüente transformação moral para melhor” (…) “…a desobsessão é a saudável terapia espírita … não se dá ,porém,exclusivamente durante os trabalhos especializados,mas também através das conversações edificantes,das leituras enobrecedoras,dos espetáculos de arte portadoras de mensagens elevadas,das conferências instrutivas…” V – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1 – CID 10,OMS,10a edição. 2 – Condutas em Psiquiatria,4a edição,editora Lemos. 3 – “A GÊNESE”,Alan Kardec. 4 – “O Livro Dos Espíritos”,Alan Kardec. 5 – “Loucura e Obsessão”,Divaldo P. Franco,Manoel P. De Miranda. 6 – Revista Delfos,ano 4,ed.3,número 18. 7 – “No Mundo Maior”,cap.7,Chico Xavier,André Luiz. 8 – “Evolução Em Dois Mundos”,cap. Mediunidade e corpo espiritual,Chico Xavier,André Luiz. 9 – “Saúde e Espiritismo”,cap. Desobsessão e terapêutica de amor,AME – Brasil. 10 – Orientações espirituais,Mentores da AMEMG. - Trabalho apresentado no I Congresso de Saúde e Espiritualidade de MG,em agosto de 2006,na sede da Associação Médica de MG,em Belo Horizonte,MG. Carlos Eduardo Sobreira Maciel1- O objetivo deste trabalho é a ampliação da compreensão da patologia psicótica através da aproximação dos conhecimentos médicos e espíritas,e assim demonstrar como a Doutrina Espírita pode desembrutecer a psiquiatria.“O espiritismo e a ciência se completam reciprocamente;a ciência,sem o espiritismo,se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria;ao espiritismo,sem a ciência,faltariam apoio e comprovação” kardec (“A Gênese”,pág 20)2- Psicopatologia:(o que é psicose?)n Literatura médica – Segundo os tratados de psiquiatria,psicose é um grave transtorno mental,caracterizado por um processo de ruptura na linha de vida do paciente com profundas alterações das suas funções psíquicas.n Faces do transtorno psicótico – A psicose pode se manifestar de diversas formas,como transtornos afetivo bipolar,esquizoafetivo,paranóia,esquizofrenias,etc.n Sinais e sintomas:manifestações das funções psíquicas alteradas.àfunções psíquicas alteradas:alterações do pensamento delírios;eco do pensamento;inserção ou roubo do pensamento;irradiação do pensamento;interceptações no curso do pensamento resultando em discurso incoerente, neologismos;alterações da percepção:alucinações- auditivas,visuais,cenestésicas,cinestésicas,gustativas,olfativas,táteis;alterações afetivas:embotamento,inadequação,labilidade;alterações comportamentais:catatônicas,tais como excitação, flexibilidade cérea,negativismo,mutismo;bizarrices;risos imotivados;solilóquios;alterações das características da “consciência do Eu”,funções psíquicas que dão à pessoa normal um senso de individualidade,unicidade e de direção de si mesmo.3 –Psicopatologia:n Literatura espírita:àMentor Carlos (orient.med. 11.11.02)- nos arquivos da AMEMG,temos Carlos explicando que o pensamento delirante é construído a partir de uma regressão do ser em desequilíbrio às fases mais primitivas da infância,como observamos em hebefrênicos com sua puerilidade,ou a situações mais remotas como vemos nos paranóicos e seus delírios sistematizados que muitas vezes são lembranças reencarnatórias do indivíduo.4 –PsicopatologiaàMentor Homero (orientação mediúnica 09.09.02):segundo Homero,as alucinações tem 2 origens. O conteúdo alucinatório pode ser fruto do inconsciente do paciente que se reporta às suas vivências passadas ou são pesadelos,imagens oníricas do processo de alienação sem ligação com experiências passadas. As alucinações mais ricas tanto em detalhes quanto numa construção aparentemente lógica estariam no primeiro grupo. Enquanto que,os processos muito desagregados estariam no segundo. Aqui devemos nos lembrar do conceito pobre de alucinação – percepção sem objeto. O paciente ouve ou enxerga o seu próprio inconsciente!5 –Etiopatogenia:- Literatura médica-Genoma (Nos últimos anos o seqüenciamento de nosso genoma tem representado um passo essencial no entendimento da biologia humana e estudos recentes demonstraram que há pelo menos 27 genes ou regiões genômicas possivelmente associadas com a esquizofrenia. Portanto a ciência chegou até o material genético,no núcleo de nossas células e identificou ali,possíveis causas da psicose. Esta predisposição genética em um indivíduo previamente sadio,faria com que em determinado momento de sua vida,em determinada circunstância,que chamamos de desencadeante.-Distúrbios neuroquímicos:certas áreas cerebrais sofreriam distúrbios em seus neurotransmissores à dopamina,serotonina,dentre outros à Psicose)6 –Etiopatogenia:n Literatura espírita:-Mentor Carlos (orientação mediúnica 29.07.02):Carlos nos convida a lançarmos o nosso olhar mais além para descobrirmos que há uma etiopatogenia espiritual.Explica que a causa da psicose antecede a composição genética,segue pelas reencarnações anteriores,onde o indivíduo agiu com crueldade,repetidas vezes,criando um campo psíquico propício para o surgimento da psicose.7 –Etiopatogenia:- Dr. Bezerra de Menezes (Loucura e Obsessão):explica o mecanismo através do qual a psicose é formada naquele campo propício (de Homero) ponte entre a causa (Homero) e defeito genético (ciência).Explicação para aquilo que está sendo descoberto pela genética. A consciência desencarnada repleta de culpa imprime no perispírito os remorsos ( marca o DNA)à perturbando o SNC (distúrbio neuroquímico ).8 –Prognóstico:- Literatura médica:- Prognóstico geralmente mais grave do que os outros quadros psiquiátricos,- Evolução – tendência a cronificação,com déficit cognitivo,- Agudização – crises que geralmente necessitam de internação.9 –Prognóstico:- Literatura espíritaà A explicação para tal gravidade em relação às outras patologias psiquiátricas está no fato de que há lesão de estruturas mais sutis do perispírito,corpo mental,ao passo que nas depressões,fobias e outras ,temos lesão de corpo emocional.10 –Psicose e obsessão espiritual:# Fronteiras divisórias entre os episódios psicopatológicos e os obsessivos. O espírito Manoel Philomeno De Miranda,no livro “Loucura e Obsessão”,esclarece que o Espiritismo não nega a loucura,mas o mentor chama a atenção para a necessidade de melhor identificarmos as fronteiras divisórias entre os episódios psicopatológicos e os obsessivos.Dentro desta perspectiva devemos sempre considerar a comorbidade loucura e obsessão e ainda os quadros de obsessão pura.-Caso clínico (HEAL):rapaz de 19 anos,com crises de agitação psicomotora e heteroagressividade,intercaladas com períodos de plena sanidade mental. Não se caracterizou como quadros médicos puros. Detectada grave obsessão,subjugação com mudança na tonalidade da voz e na força física do obsediado.-Caso clínico (Loucura e Obsessão): Paciente portador,segundo os médicos,de esquizofrenia catatônica. Dr. Bezerra De Menezes,no plano espiritual,examinou o paciente,mergulhando nos arquivos perispirituais,elucidou que o diagnóstico psiquiátrico era exato. Esclareceu ainda que havia além da doença,processo de resgate de faltas graves,a presença de alguns adversários espirituais que se lhe vinculavam,como cobradores impenitentes.# Doença mental como antena emissora e receptora – O que se observa é que há casos de obsessão pura aparentando psicose,mas é altíssimo o índice de obsessão espiritual em casos de psicose. Encontramos uma explicação para a grande incidência de patologias mentais concomitantes às obsessões espirituais em um artigo do Dr Roberto Lúcio,na revista Delfos:“… a obsessão é um processo de afinidade mental negativa e o portador de doença mental é sempre uma antena estragada que atrai entidades espirituais doentias para si…”.)11 –Tratamento:- Biológicos;- Psicofármacos – realizado com medicamentos que possuem ação sobre os neurotransmissores envolvidos na doença.- Eletroconvulsoterapia – introduzida em 1938;eficácia e segurança claramente estabelecidas;controvérsia ideológica trazida pelo movimento antipsiquiátrico e pelos presumíveis efeitos deletérios (nunca comprovados) sobre o cérebro;consiste na aplicação de uma série de estímulos elétricos para desencadear uma crise convulsiva,com duração de 25 segundos de manifestações motoras ou 20 segundos de manifestações eletroencefalográficas com finalidades terapêuticas;riscos:a mortalidade associada à ECT é a mesma associada à anestesia geral para uma pequena cirurgia (1 morte para 10000 pacientes tratados.- Psicoterápico (através de recursos da psicologia e terapia ocupacional)- Desobsessivo12 –Tratamento:- Literatura espírita- Mentor Calderaro (No Mundo Maior):Estudos científicos mostram sua eficácia e segurança,mas não se sabe qual o seu mecanismo de ação. No livro N.M.M,Calderaro explica a André Luiz que a eletroconvulsoterapia age no perispírito reajustando os centros de força e conseqüentemente os neurônios.13Tratamento:à Mentor Rafael (orientação mediúnica 16.12.02):Nos fala de uma possibilidade psicoterápica através da valorização da paz e do reaprendizado do carinho e da confiança,já que trilharam o sentido oposto,num caminho que levou à doença psicótica.14Referências bibliográficas:1. CID 10,OMS,10ª edição.2. Condutas em Psiquiatria,4ª ed.,ed.Lemos.3. Revista de Psiquiatria Clínica,volume 31,nº 1,2004.4. Loucura e Obsessão,Divaldo P. Franco,Manoel P. De Miranda.5. Revista Delfos,ano 4,nº 18.6. No Mundo Maior,cap. 7,Chico Xavier,André Luiz.7. Orientações espirituais,Mentores da AMEMG.Fonte:Nosso Jornal – Folha Comunitária de Abaeté,02/12/10 Dr. Andrei,o que é a saúde,a doença,cura e a autocura na abordagem médico-espírita? A saúde é entendida como o reflexo do equilíbrio do ser em relação às leis divinas. Na visão espírita,o homem é um ser imortal,alguém que preexiste à vida física,que sobrevive ao fenômeno biológico da morte e,ao longo do processo evolutivo,através da reencarnação,vai crescendo,desenvolvendo-se em direção a Deus. A saúde do corpo físico é um reflexo do nível de equilíbrio desse espírito no processo evolutivo perante o amor,o belo e o bem. Já a doença é uma sinalização interior de reequilíbrio,convidando o ser a reconectar-se com o amor e com a fonte. É uma mensagem gerada no mais profundo da realidade espiritual do ser e que se reflete no corpo físico como um convite à reconexão com o amor,ao desenvolvimento do autoamor e do amor ao próximo. Nessa visão,a saúde e o adoecimento são construções do próprio homem e ninguém é vítima de nada,senão de si mesmo,das suas próprias decisões,das suas próprias escolhas,daquilo que decide e determina em sua vida. Portanto,toda cura é também um fenômeno de autocura,porque,para que ela se instale em definitivo,é necessário que haja não simplesmente um alívio dos sintomas e uma resolução do processo biológico no corpo físico,mas também uma reformulação moral do pensamento,do sentimento e da ação,fazendo com que o ser esteja transformado em profundidade,em consonância com a lei divina,ou seja,mais em sintonia com a lei do amor. O amor é,então,o caminho para a cura? O amor é o grande medicamento,é a grande finalidade da existência. Na verdade,nós caminhamos em direção a Deus como o “filho pródigo” da parábola de Jesus,reconectando nossa relação com o Pai e retornando para a casa de Deus,que,na verdade,é dentro do nosso próprio coração,onde Deus está. Pouco a pouco,vamos fazendo isso,descobrindo as nossas virtudes,a grandeza íntima que há dentro de nós,tudo aquilo que Deus nos deu como possibilidade evolutiva e que pode nos realizar plenamente. Nesse contexto,o amor representa um movimento medicamentoso por excelência,enquanto movimento de respeito,de consideração,de valorização,de inclusão,de consideração. Ele nos trata as doenças da alma,que são orgulho,egoísmo,vaidade,prepotência,arrogância,e nos coloca em sintonia com a fonte,que é Deus,nos auxiliando a reconectar-nos com o Pai. Desenvolver o amor é o caminho mais rápido,fácil e eficaz para a cura da alma e do corpo. Nos seminários,você apresentou também o perdão como o caminho para a saúde integral. Fale um pouquinho sobre isso. Sim,o perdão é condição essencial para a saúde. Sem o perdão,não há paz interior,não há saúde nem física,nem emocional. Shakespeare dizia que não perdoar ou guardar mágoa é como beber veneno,desejando que o outro morra. O veneno age naquele que o guarda,que o cultiva dentro de si. E a mágoa atua dentro de nós na semelhança de uma planta que,uma vez guardada,cultivada,vai crescendo,criando raízes,dá flores,frutos e multiplica-se. E nós acabamos enredados em uma série de dores emocionais,sem que nem saibamos,às vezes,onde tudo começou. Tudo porque vamos guardando as coisas dentro de nós,sem trabalhar,sem dialogar,sem metabolizar emocionalmente aquilo que estamos sentindo,vivenciando. Quando vemos,a situação está numa questão muito profunda e muito grave. Para que tenhamos paz,é necessário que abracemos o perdão como um projeto. O perdão é uma decisão pela paz,que se traduz em atitudes pelo estabelecimento dessa paz,no entendimento das questões emocionais,das nossas características pessoais,das circunstâncias que envolvem o ato agressor e da responsabilidade e co-responsabilidade nossa no processo. Ele se traduz como um processo,porque não se dá da noite para o dia. Ele se constrói ao longo do tempo e através de atitudes sucessivas de busca dessa metabolização emocional que,muitas vezes,precisa de um acompanhamento terapêutico profissional,através de um psicólogo que faça essa abordagem íntima e ajude-nos a encontrar nossas respostas,sentidos e significados mais profundos. O perdão passa também pelo acolhimento e aceitação da nossa humanidade e da humanidade do outro,sobretudo,na superação dos traumas,porque só aceitando a condição fundamental do ser humano,de estar num processo contínuo de erro e acerto,é que a gente dá conta de conviver com os equívocos do outro que nos fere e até mesmo com os nossos mesmos. Naturalmente,nós só fazemos para o outro aquilo que fazemos para nós. Então,nós só conseguimos aceitar a humanidade do outro quando aceitamos a nossa própria humanidade,quando acolhemos em nós a nossa capacidade de errar e recomeçar,abraçando o auto-amor como uma proposta de vida. O autoamor é filho da humildade,uma das representações magníficas da amorosidade divina,aquela decisão interna de nos acolher,de nos tratar com ternura,compaixão e com a benevolência que nós necessitamos,embora com a firmeza necessária para domar as nossas paixões e renovarmo-nos de nossos defeitos que julguemos necessários. Então,o perdão é uma atitude de conquista desse estado de paz interior,através do entendimento das circunstâncias que nos envolvem e da decisão pelo amor. Em Abaeté,é muito grande o número de pessoas viciadas em anti-depressivos,ansiolíticos,bebidas e drogas pesadas,como o crack. O que você poderia falar para essas pessoas? Toda dependência é uma busca de aplacar o vazio interior através de coisas externas. Mas esse vazio interior,que nós todos temos,só é aplacado pela presença do autoamor. O vazio é um vazio do amor,mas esse amor que nos falta não é o amor que vem do outro,é o amor que vem de dentro,é o amor que a gente pode se dar. Então,para o tratamento e a profilaxia de qualquer processo de dependência,é importante ensinar as pessoas a se valorizarem,se respeitarem,se gostarem. A estabelecerem relações familiares honestas em que as pessoas dialoguem,conversem,estejam atentas umas às outras e partilhem suas emoções,mostrando-se,não de forma idealizada,mas de forma honesta,real,ensinando cada um a ver,em todos nós,luz e sombra,beleza e feúra,coisas positivas e negativas. Nós precisamos aprender a acolher esses dois lados,aprendendo a transformar aquilo que não amamos em nós e a valorizar e desenvolver aquilo que há de bom,de positivo. A depressão passa pela não aceitação da vida. Há uma mensagem subliminar no depressivo que é:“como não tenho a vida que desejo,não aceito a vida que tenho”. Há também uma mensagem da arrogância,da prepotência de acreditar que,ferindo a si mesmo,fere a própria sociedade,fere o mundo. Muitas vezes,por trás da depressão,há culpas e processos autopunitivos profundos,em virtude da ausência da humildade,em se permitir aceitar a vida como pode ser e de recomeçar quantas vezes forem necessárias para se alcançar a felicidade. No tratamento da depressão,é importante abordar a questão do desenvolvimento da aceitação da vida,da submissão ativa a Deus. Isso significa “aceitar a vida tal como ela está,mas fazendo tudo para se buscar aquilo que se deseja”,sem abandonar o prazer de viver,sem entrar naquela tristeza patológica,aquela tristeza excessiva que se configura como estado depressivo. Os antidepressivos são muito úteis quando bem indicados durante um certo período,mas não podem virar uma muleta,eles não são a pílula da felicidade,não podem ser a fonte que nos dão a realização íntima,que aplacam a nossa dor. Nós temos,hoje,na nossa sociedade,uma medicalização excessiva,um uso abusivo de medicamentos,porque não aprendemos a lidar com naturalidade com as nossas emoções. O medo,a tristeza,a raiva,a alegria são emoções básicas,e nós temos que aprender a lidar com elas. Quando não lidamos de forma natural é que elas adoecem,se transformando em mágoa,em pânico,em euforia ou em depressão. Na nossa sociedade,observamos que há um excesso de medicalização das emoções naturais. Tão logo a pessoa fica triste,já entra com um antidepressivo,um ansiolítico para que ela evite lidar com sua ansiedade ou sua tristeza. Mas a ansiedade e a tristeza são situações naturais da vida,que até um determinado nível são muito positivas e que nos falam muito a respeito de nós mesmos. É importante que o autoconhecimento guie o processo,pra que entendamos o que está acontecendo na nossa alma e na nossa vida. Marta Medeiros fala,de uma forma muito bela,que a tristeza é o quartinho do fundo onde a gente analisa a nossa vida. E é isso que nós temos que aprender:a estudar nossas emoções,nossas características,para retirar delas ensinamentos preciosos a respeito de nós mesmos e do outro e,com isso,nos tornarmos pessoas melhores. O suicídio pode ser visto como uma doença da alma? O suicídio é um ato de desespero em que o sujeito tenta matar a dor que há nele e,muitas vezes,ele envolve a família e os outros numa situação de dor ainda maior do que aquela que era a dor original. Por isso,também é uma manifestação de egoísmo. Nós devemos evitar o suicídio em nossa sociedade,estabelecendo acolhimento à dor emocional das pessoas,através de serviços competentes em que as pessoas possam ser escutadas,ouvidas,acolhidas e onde possam ser bem orientadas através de um acompanhamento terapêutico com profissionais competentes,que possam nos ajudar a metabolizar as dores e as dificuldades que vivemos. Precisamos,sobretudo,de um ensino religioso e moral que nos dê base e subsídio para entender quem somos,o que viemos fazer e para onde vamos e uma base moral que nos forneça elementos de estímulo ao desenvolvimento das virtudes que são potências da alma e verdadeiros profiláticos contra o suicídio. Na visão espírita,o suicídio é um ato muito infeliz,porque o indivíduo reconhece-se vivo do outro lado da vida,matando somente o corpo físico. E aquela dor original,além de não estar resolvida,está aumentada pela circunstância do ato agressor à própria vida. Esse é um direito que nenhum de nós tem. Somente a Deus compete dar e retirar a vida. Então,diante daquele que cometeu o suicídio,nós devemos agir com compaixão e misericórdia,enviando-lhe as nossas preces. As orações sinceras daqueles que amam ou mesmo daqueles que têm boa vontade e desejam auxiliar chegam até o coração daqueles que estão em sofrimento do outro lado da vida como verdadeiros bálsamos,alívios e medicamentos que amenizam seu sofrimento e os auxiliam a prosseguir. Como a vida é eterna,cada um terá a oportunidade de se renovar,de recomeçar,embora tendo que lidar com os resultados infelizes que,às vezes,são sofrimentos desnecessários desses atos de desespero. Na edição de dezembro,o Nosso Jornal abordou um problema preocupante,que é o número crescente de acidentes de trânsito com vítimas fatais,muitas vezes em veículos dirigidos por menores. O que poderíamos dizer,sobretudo aos pais que têm dificuldade em impor limites,em dizer não,e acabam emprestando o carro ou presenteando o filho menor com motocicletas? Isso não pode acontecer de forma alguma. Os pais não podem abrir mão do seu direito e da sua responsabilidade como educadores. Nossa sociedade exige que,para uma pessoa dirigir,ela esteja habilitada,e isso somente após a maioridade. Os pais têm que aprender a respeitar isso. Se não respeitam essa condição fundamental básica,assumem as consequências pelos erros daqueles que lhes são responsabilidade direta. Nós sabemos que,hoje,é muito difícil para as famílias aprender a colocar limites,porque vivemos processos educacionais que dão muita liberalidade aos jovens,sem o processo educacional que os ensine a usar a liberdade com responsabilidade. Então,os pais,enquanto educadores morais,não podem abrir mão desse papel. Devem ser aqueles que utilizam de vários instrumentos,procuram ajuda profissional se necessário,mas de forma alguma abrem mão do seu papel,desistindo dos adolescentes a eles vinculados. Precisam ser,sim,aqueles que buscam todos os recursos e meios para fornecer ao indivíduo o elemento educacional,que vem,sobretudo,pelo exemplo,porque os adolescentes aprendem muito mais vendo o que os pais fazem,do que escutando o que os pais dizem. O exemplo da família é extremamente importante no processo educacional,e a sociedade deve ter leis e cumprimentos das leis,deve estabelecer processos educativos para menores que sejam pegos sem habilitação,assim como para aqueles que sejam pegos alcoolizados,dirigindo,colocando em risco a sua vida e a vida de outros. E os pais devem agir com responsabilidade também,estabelecendo processos internos na dinâmica familiar que sejam processos delimitadores quando os menores ou quando os indivíduos,mesmo maiores,atinjam esse nível de irresponsabilidade,colocando em risco a sociedade. É dever dos pais fazer essa delimitação. Inclusive,com internet,não é? Os jogos de internet que são viciantes também… Jogos viciantes,agressivos,que desenvolvem a agressividade no indivíduo e que,muitas vezes,alienam o indivíduo da vida de relação. Nós temos visto adolescentes viciados em jogos de internet que não priorizam a relação com o outro,o estar fora de casa,o conviver. Com isso,acabam se tornando adultos fechados,reprimidos e com dificuldades de estabelecer laços afetivos profundos. Então,todas as instrumentações da vida são positivas,mas têm que ser limitadas. Os pais têm que limitar o uso da internet,entrar em acordo com seus filhos. Não agir simplesmente de forma autoritária,mas estabelecer acordos para processos educativos que levem o jovem a se envovler com esporte,com a sociabilização,com a educação moral,através da educação religiosa,das atividades sociais,a responsabilização com o bem a seus semelhante. O jovem pode ser direcionado para atividades voluntárias,caritativas,que são extremamente educadoras e fazem o jovem conhecer outras realidades,vislumbrar outras perspectivas e,muitas vezes,ressignificar a própria vida e o próprio contexto. É dever dos pais estabelecer os limites e as regras da convivência sem abrir mão desse direito e dessa obrigação moral que eles têm. Esse ciclo de palestras em Abaeté foi também o lançamento do seu livro “Cura e Autocura”. Fale um pouquinho sobre esse trabalho. “Cura e Autocura,uma visão médico-espírita”,é uma publicação da Ame editora,o órgão editorial da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais,e aborda a saúde e o adoecimento dentro da visão espírita. São 16 capítulos,abordando diversos aspectos como,por exemplo,o perdão como caminho de cura,a caridade como instrumento de cura,a ação do pensamento na saúde e na doença,as curas de Jesus,a saúde e o adoecimento na visão espírita,terapêutica,médico-espírita,bem como o terapeuta como curador e outros assuntos,com apresentação de casos,de trabalhos práticos também nesse sentido,sobretudo o amor e o auto-amor como caminhos de encontro do ser consigo mesmo e de cura do corpo e da alma. Esses livros podem ser adquiridos diretamente na editora através do telefone (31) 3332-5293,pelo site www.amemg.com.br ou nas grandes livrarias em Belo Horizonte. Para finalizar,deixe uma mensagem de Natal para nossos leitores. A mensagem de Natal que eu deixo é que todos nós aprendamos a reconhecer em Jesus o guia e modelo de nossas vidas. Ele é a síntese do amor universal,é o grande representante da ética transpessoal do amor,do belo e do bem. Nós temos que entender que sua mensagem não é uma mensagem religiosa para ser vivida nas igrejas,nos centros,nos cultos,mas é uma mensagem para todo dia,para todo e qualquer instante. É uma mensagem de transformação e renovação da alma,de reconexão com o Pai,com o Criador dentro de nós,de religação com a fonte do eterno bem e do belo dentro de nós. As virtudes pregadas e vividas pelo Cristo são a grande referência de vida para que nós conquistemos um padrão de comportamento que seja superior e exemplar,que pacifica nossas almas e realiza nossos espíritos. Deve ser uma mensagem que está muito mais na prática do que nos nossos lábios. Ela tem que estar nas nossas ações,sendo esforço e vivência no dia-a-dia. Ela é a força que pode renovar e transformar a nossa sociedade. A Diabetes é uma doença caracterizada pela elevada taxa de glicose (açúcar) no sangue,devido a deficiência na produção de insulina ou na dificuldade de ação desse hormônio no organismo. Atualmente,há cerca de 240 milhões de portadores da Diabetes em todo o mundo,e estima-se que em 2025 esse número chagará a 350 milhões. A Diabetes melitus pode ser dividida em tipo I e tipo II e tem raízes,do ponto de vista médico,na interação de fatores genéticos com estímulos ambientais. A Tipo I acomete indivíduos na infância e adolescência e caracteriza-se por ser uma doença auto-inume,ou seja,o organismo produz anticorpos contra as células Beta do pâncreas,produtoras de insulina,levando à deficiência desse hormônio. Há a necessidade de se administrar a insulina por via subcutânea para repor a falta desse importante hormônio controlador do metabolismo de carboidratos,proteínas e lipídeos. Já o Tipo II é a diabetes que é decorrente predominantemente de fatores ambientais e comportamentais,sendo a obesidade,sobretudo a abdominal,o principal fator de risco para seu desenvolvimento. Há a produção normal ou pouco diminuída de insulina,mas ela não consegue exercer o seu papel nas células devido à resistência nos tecidos,que impedem sua absorção e ação intracelular. Há a necessidade de se administrar fármacos hipoglicemiantes,que reduzem a taxa de açúcar no sangue,pois a glicemia elevada produz um estado de inflamação crônica que pode lesar tecidos e órgãos,gerando complicações,sendo as mais freqüentes a neuropatia,a retinopatia e as lesões renais. Para se evitar desenvolver diabetes e também tratá-la,o mais recomendado é a adoção de atividades físicas aeróbicas e dieta,rica em saladas verdes,derivados do leite,carne branca e magra,além da redução da ingestão de açúcares e uso de medicações específicas. Do ponto de vista espiritual,entendemos que as predisposições genéticas que trazemos na reencarnação falam de nosso passado espiritual e de nossas tendências,mas,sobretudo de nossas necessidades reeducativas. A Diabetes é,de forma geral,um grande convite ao aprendizado do limite e do auto-amor. Ao invés de ser um castigo divino ou uma punição por erros ou ainda carma,como alguns acreditam,essa doença se apresenta como expressão de nossas escolhas e construções individuais ao longo dos tempos. É,portanto,recurso de autodomínio e autoconhecimento,que promove o seu portador,quando este aproveita a oportunidade para vencer a si mesmo,a um estado de maior equilíbrio e harmonia do que tinha antes,ao reencarnar,lembrando que somos todos espíritos imortais e não meros seres carnais vivenciando uma experiência passageira. Segundo proposta do Dr. César Geremias,endocrinologista gaúcho,a Diabetes tipo I,por suas características,teria raízes na auto-agressão,culpa,vitimização e autopunição,manifestações da falta de auto-perdão e sobretudo do orgulho,sentimento base que seria o núcleo principal a ser trabalhado nesse caso. Já a Diabetes tipo II teria suas raízes na falta de auto-cuidado,no hedonismo excessivo,na exaustão das energias psicofísicas e excesso de auto-preservação,manifestações diferenciadas do egoísmo,que seria o núcleo principal ou sentimento base nesse caso. Perceber essas características em si,reconhecê-las,acolhê-las e esforçar por transformá-las,no processo reeducativo que a doença convida,seria o objetivo maior da doença,lembrando-se sempre que é necessário individualizar cada caso e somente o autoconhecimento poderá fornecer a indicação segura das necessidades de cada um. Mas,independente de sua origem,a Diabetes é um grande convite ao auto-amor,à auto-preservação e à superação de si mesmo,caminhos de paz interior e saúde integral. Dr. Andrei Moreira Médico generalista integrante de uma equipe do PSF em BH/MG Presidente da Associação Médico-Espírita de MG ammsouza@hotmail.com – www.amemg.com.br - Homossexualidade é ou não uma doença à luz do Espírito imortal?
“Desde 1973,a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento,deixando de considerar a homossexualidade como doença. No Brasil,em 1985,o Conselho Federal de Psicologia deixa de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e,em 1999,estabelece regras para a atuação dos psicólogos em relação à questões de orientação sexual,declarando que “a homossexualidade não constitui doença,nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. No dia 17 de Maio de 1990 a Assembléia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais,a Classificação internacional de doenças (sigla CID). Por fim,em 1991,a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos” – Wikypedia A Homossexualidade,segundo a ciência,é uma orientação afetivo-sexual normal. Sob o ponto de vista espírita,tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade,em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa. Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita,mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito,acolhimento e inclusão da pessoa homossexual,entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo “natural” como sinônimo de “presente na natureza”),decorrente de múltiplos fatores,sempre individuais para cada espírito,construída ou escolhida pelo espírito,em função de tarefas específicas ou provas redentoras,incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado,que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais,segundo a literatura espírita. 2. Qual a diferença entre orientação e escolha sexual? Orientação sexual representa o desejo e o interesse afetivo-sexual (note bem:não somente sexual,mas também afetivo) do indivíduo,decorrente de múltiplos fatores,os quais determinam com qual sexo ele se sente realizado para uma parceria íntima. A orientação sexual é fruto da história pessoal do indivíduo,presente e passada;é influenciada pela cultura e pelas identificações psicológicas,porém não controlada ou determinada conscientemente pelo indivíduo. Nasce-se com ela. Escolha é fruto da decisão consciente de se viver ou não a orientação,aceitá-la ou reprimi-la,de acordo com as idealizações e a pressão familiar-social-cultural do meio em que o indivíduo se encontra reencarnado. 3. O homem homossexual se sente uma mulher? A mulher homossexual se sente um homem? De forma alguma. Identidade e orientação sexual são coisas distintas. Identidade é como o indivíduo se sente,a qual sexo pertence,com qual sexo se identifica psicologicamente. A orientação homossexual representa exclusivamente o direcionamento do afeto e do interesse sexual para indivíduos do mesmo sexo. O homem homossexual tem a sua identidade masculina,sente-se homem,embora possa ou não ter trejeitos afeminados,conforme sua história e identificação psicológica. Igualmente,a mulher homossexual tem a identidade feminina,embora possa ter ou não trejeitos masculinizados. Quando o indivíduo está em um corpo de um sexo,e sua identidade é a do sexo oposto,dizemos que ele é transexual,que é diferente do homossexual. 4. Em todos os casos,o espírito já renasce homossexual? É possível reverter essa orientação? Há uma diferença entre comportamento homossexual e identidade afetivo-sexual homossexual. Observamos comportamentos homossexuais em indivíduos com doenças psiquiátricas,entre presidiários e soldados em guerra;nessas condições,na ausência da figura feminina,a prática sexual entre iguais praticada por muitos como campo de liberação das tensões sexuais e da busca do prazer. Isso não quer dizer que eles sejam homossexuais. O indivíduo com identidade homossexual é aquele que se sente atraído afetiva e sexualmente por pessoa do mesmo sexo,o que pode ser percebido ou descoberto em diferentes fases da vida do indivíduo. Não podemos afirmar que todos os homossexuais tenham nascido com essa orientação,pois a variedade de manifestações nessa área nos remete a múltiplas causas,embora a literatura mediúnica espírita nos informe de que em boa parte dos casos as pessoas homossexuais trazem de seu passado espiritual a fonte de sua orientação presente. Não sendo,em si,uma condição maléfica para o indivíduo,mas neutra,podendo ser positiva ou não,dependendo da forma como for vivenciada,não há necessidade de reverter essa condição. A orientação da ciência médica e psicológica atual é de que o indivíduo homossexual que não se aceita e sofre com isso deve ser classificado como portador de transtorno egodistônico,e os esforços devem se direcionar no sentido de auxiliá-lo a se aceitar e se amar tal qual é,sentindo-se digno de amor e respeito,buscando relações que lhe fortaleçam o autoamor e nas quais possa ser natural,espontâneo e verdadeiro,em busca de sua felicidade e de seu progresso. Há religiosos e profissionais fundamentalistas que oferecem terapia e assistência espiritual,sobretudo em igrejas evangélicas,para que o indivíduo se “cure” da homossexualidade. Não há registros de casos bem sucedidos. O que frequentemente se observa são indivíduos bissexuais alterando o direcionamento do seu afeto para indivíduos do mesmo sexo,porém muitos deles têm relações sexuais clandestinas com pessoas do mesmo sexo e nos procuram nos consultórios cheios de culpa,medo e vergonha por não se sentirem “curados”. Além disso,há os indivíduos homossexuais que decidem vestir a máscara de heterossexuais e por algum tempo formam famílias;frequentemente,saem de casa após algum tempo para viverem o que sentem como sua real atração afetivo-sexual. 5. Existem casos de homossexualidade desenvolvida exclusivamente pela educação na infância? Em caso afirmativo,é possível reverter o processo? Segundo Freud,sim,o que não significa que seja passível de reversão ou que haja necessidade disso. Segundo o Conselho Federal de Psicologia a identidade e a orientação sexual estruturadas na infância não são passíveis de reversão,e a homossexualidade não é uma condição que necessite reversão,já que não é uma doença e muito menos um desvio moral. Porém,na visão espírita,os benfeitores espirituais nos informam que o espírito,ao reencarnar,já escolhe a natureza de suas provas e as condições familiares sociais e pessoais necessárias ao seu progresso,conforme sua consciência indique a necessidade de reparação dos equívocos do passado e de melhoramento pessoal. Em outras situações,quando o espírito não se encontra maduro para definir suas provas,elas são estabelecidas por orientadores evolutivos,mas,ainda assim,são definidas previamente à reencarnação. Assim,a família,o corpo que a pessoa tem e os principais pontos da existência já estão definidos para patrocinar as condições necessárias ao progresso do indivíduo. Além disso,o espírito traz impressos em si o fruto de suas escolhas,o resultado de suas experiências passadas,em seu psiquismo e no corpo espiritual,a determinar a identidade e a orientação sexual da presente encarnação. 6. Muitos consideram que a abstinência é uma recomendação educativa no caso de homossexualidade. O que você acha? Abstinência não representa educação do desejo e da prática sexual. Contudo,pode ser uma etapa necessária em certos casos,para a disciplina dos impulsos íntimos,de heterossexuais e homossexuais,quando se percebam necessitados de controle do desejo e da prática sem limites. Também pode acontecer que tenham a condição de abstinência imposta pela misericórdia divina como recurso emergencial de salvação perante circunstâncias de abusos reiterados nessa área. Diz Ermance Dufaux,no livro Unidos para o Amor:“Abstinência nem sempre é solução e pode ser apenas uma medida disciplinar sem que,necessariamente,signifique um ato educativo. Por educar devemos entender,sobretudo,a desenvoltura de qualidades íntimas capazes de nos habilitar ao trato moral seguro e proveitoso com a vida. (…) A questão da sexualidade é pessoal,intransferível,consciencial e a ética nesse campo passa por muitas e muitas adequações”. O Espiritismo recomenda a todas as criaturas a conscientização a respeito da sacralidade do corpo físico e da sexualidade,como fonte criativa e criadora,destinada a ser fonte de prazer físico e espiritual,sobretudo de realização íntima para o ser humano,em todas as suas formas de expressão. Sintetiza Emmanuel,na introdução do livro Vida e Sexo:“(…) em torno do sexo,será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes:Não proibição,mas educação. Não abstinência imposta,mas emprego digno,com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina,mas controle. Não impulso livre,mas responsabilidade (grifos nossos). Fora disso,é teorizar simplesmente,para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso,será enganar-nos,lutar sem proveito,sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal,tantas vezes quantas se fizerem precisas,pelos mecanismos da reencarnação,porque a aplicação do sexo,ante a luz do amor e da vida,é assunto pertinente à consciência de cada um”. 7. O homossexual não consegue de forma alguma ter atração por pessoa do sexo oposto ou isso pode acontecer de forma natural? Segundo o relatório Kinsey,extensa pesquisa sobre o comportamento sexual humano realizada nos EUA na década de 60 do século XX,pelo biólogo Alfred Kinsey,tanto a homossexualidade como a heterossexualidade absoluta são condições raras em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas tem uma condição de desejo predominante,em graus variáveis. Por exemplo,uma pessoa pode ser 80% heterossexual e 20% homossexual ou vice-versa. É natural,portanto,que uma atração heterossexual possa ocorrer na vida de um indivíduo homossexual,o que muitas vezes é entendido pelo leigo como “cura” da homossexualidade. Emmanuel nos esclarece a respeito dessa realidade no livro Vida e Sexo,cap.21:“através de milênios e milênios,o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações,ora em posição de feminilidade,ora em condições de masculinidade,o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade,mais ou menos pronunciado,em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão,desse modo,de maneira respectiva,acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina,sem especificação psicológica absoluta.” Podemos compreender assim que todos os indivíduos trazem em sua intimidade a possibilidade de se sentirem atraídos e se apaixonarem por alguém do mesmo sexo (afinal de contas, a pessoa se apaixona por um indivíduo completo,e não pelo seu corpo apenas). Isso não significa que vá ou necessite viver essa situação. O psiquismo atende e responde ao impulso do espírito,que é assexuado,mas que cumpre programas específicos em um ou outro sexo,conforme definição anterior e necessidade evolutiva,inserido em um contexto sociocultural que o limita na percepção e expressão do que vai em sua intimidade profunda. 8. Homem ou mulher que tenham fantasias com pessoas do mesmo sexo podem ser considerados homossexuais? Na adolescência as experiências homossexuais são naturais,definidas pela psicologia como experiências de experimentação de uma identidade sexual em formação;não atestam,necessariamente,a orientação homossexual. Já no adulto a fantasia é uma das formas de expressão do desejo e da atração homoafetiva e atestam a intimidade da criatura,mesmo que não sejam aceitas pela personalidade consciente. 9. Qual sua avaliação sobre como a comunidade espírita trata a homossexualidade? Em geral,observamos uma abordagem superficial e discriminatória por parte da comunidade espírita com os homossexuais e a homossexualidade. É compreensível que seja assim,pois todo meio religioso lida com idealizações e preconceitos seculares. Todavia,tal postura pode ser modificada por meio do que recomenda Allan Kardec:estudo sério e aprofundado de um tema para que se possa opinar sobre ele. É lamentável que nós,adeptos de uma fé raciocinada,nos permitamos o mesmo comportamento dos religiosos fundamentalistas. Observa-se muita opinião pessoal sem fundamento tomada como regra e lei. Tais opiniões costumam ser destituídas de compaixão e amorosidadee terminam por isolar o indivíduo homossexual,tachando-o de doente,perturbado,promíscuo e/ou obsediado. Às vezes ele é até mesmo afastado das atividades espíritas habituais,como se fosse portador de grave moléstia que devesse receber reprovação e crítica por parte da parcela heterossexual “normal” da sociedade. Tais posturas são frequentemente embasadas no tradicional preconceito judaico-cristão-ocidental de que a única e exclusiva função da sexualidade é a procriação humana,tomando a parte pelo todo. O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária,compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano e o progresso espiritual. Nos dá bases muito ricas de entendimento do psiquismo e da sexualidade do espírito imortal,como instrumentos divinos dados por Deus ao homem para seu aprimoramento e felicidade. Além disso,nos oferece esclarecimento a respeito das condições e situações determinadas pela liberdade do homem,que desvia esses instrumentos superiores de suas funções sagradas. É imprescindível que se extinga em nosso movimento o preconceito e que os homossexuais tenham campo de trabalho,se dediquem ao estudo e à prática da doutrina espírita,com a mesma naturalidade de heterossexuais. Isso,para que compreendam o papel de sua condição em seu momento evolutivo e a utilizem com respeito e dignidade com vistas ao equacionamento dos dramas internos,ao cumprimento dos planos de trabalho específicos em sua proposta encarnatória e ao seu progresso pessoal,da família e da sociedade da qual faz parte,da mesma maneira como deve fazer o heterossexual. 10. Como devem se comportar os pais espíritas de um indivíduo que se descubra homossexual? Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo,com aceitação de sua condição,que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo,inferior,afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais,a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro (a). A postura na vivência da sexualidade,para homossexuais,deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais:dignidade,respeito a si mesmo e ao outro, valorização da família,da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está inserido. O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa se aceitar,se compreender,entendendo o papel dessa condição em sua vida atual,e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta,para aqueles que vivem essa condição,é grande,a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença. A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns,com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem,devendo ser cada membro dessa célula da sociedade,um esteio para que o melhor do outro venha à tona,por meio da experiência amorosa. Os pais de homossexuais poderão ler e compartilhar interessantes experiências de outros pais no site e nos livros de Edith Modesto:http://www.gph.org.br Livros:http://www.gph.org.br/publica.asp 11. Gostaria de acrescentar algo? Romanos 14:14 “Eu sei,e estou certo no Senhor Jesus,que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera;para esse é imundo.” Todas as experiências evolutivas onde estejam presentes o autorrespeito,a autoconsideração,a autovalorização e o autoamor são experiências evolutivas promotoras de progresso e evolução,pois aquele que se oferece essas condições naturalmente as estende ao outro na vida. A homossexualidade,independentemente da forma como se haja estruturado como condição evolutiva momentânea do indivíduo,pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo de experimentação do afeto e construção do amor,desde que aqueles que a vivam se lembrem de que são espíritos imortais e de que a vida na matéria é tempo de plantio para a eternidade,no terreno do sentimento e das conquistas evolutivas propiciadas pelo amor,em qualquer de suas infinitas manifestações. Diz-nos Emmanuel no livro Vida e Sexo,lição 21 – Homossexualidade,ed. Feb: “A coletividade humana aprenderá,gradativamente,a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos,para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana,de vez que a individualidade,em si,exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.” E complementa André Luiz,no livro Sexo e destino – Cap. 5, pág 155 – ed. Feb: “(…) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados,tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais,serão tratados em pé de igualdade,no mesmo nível de dignidade humana,reparando-se as injustiças achacadas,há séculos,contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas,porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física,quando não fazem deles criaturas hipócritas,com necessidade de mentir incessantemente para viver,sob o sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos.” Para saber mais: Indico,entre outros,os seguintes livros espíritas,com abordagens responsáveis e bem fundamentadas sobre o assunto: 1- Vida e sexo,Emmanuel/Chico Xavier,em especial cap. 21 – ed. Feb 2- Sexo e destino e Ação e reação – ambos de André Luiz/Chico Xavier – ed. feb 3- Além do rosa e do azul – Gibson Bastos – Ed. Celd 4- O preço de ser diferente (romance) – Ed. Vida e Consciência 5- Quem perdoa,liberta – José Mário/Wanderley Oliveira – Cap. Homoafetividade e mediunidade *Andrei Moreira é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Integra,desde 2005,uma equipe do Programa de Saúde da Família,em Belo Horizonte,Minas Gerais. Especializado em Homeopatia. Preceptor do Internato em Atenção Integral à Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Alfenas,campus BH,desde 2008. Participa ativamente do movimento espírita nacional e internacional,proferindo palestras e seminários. Integra equipes de atendimento a pacientes com a metodologia médico-espírita na Amemg. Presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais,desde 2007. Autor do livro:Cura e autocura – uma visão médico espírita – AME Editora,2010 ammsouza@hotmail.com - www.amemg.com.br O HIV é um retrovírus transmitido por via sexual,transfusões sanguíneas,compartilhamento de seringas ou de mãe contaminada para o feto,no parto ou amamentação. Ele se multiplica no organismo destruindo as células de defesa,os glóbulos brancos,mais especificamente os linfócitos T CD4. Quando esse exército natural do corpo humano está bastante diminuído,estabelece-se a imunodeficiência,ou AIDS,que abre as portas para infecções oportunistas que debilitam e causam sofrimento ao indivíduo nessa condição. Atualmente,existem cerca de 40 milhões de portadores do vírus HIV em todo mundo,concentrando-se a maioria na África subsaariana. Existem potentes coquetéis anti-retrovirais que impedem a multiplicação viral,auxiliando a evitar a AIDS,diminuindo doenças oportunistas e aumentando a longevidade e qualidade de vida do portador do vírus. Na visão espírita,o ser humano é entendido sob o prisma da imortalidade da alma,como um ser eterno,filho de Deus,que marcha rumo ao progresso e à felicidade exercendo a liberdade relativa dada por Deus aos seus filhos. Nesse processo,passa pelas múltiplas vidas sucessivas,ou reencarnação,guiado pelas leis de justiça e misericórdia,ambas derivações da lei do amor,que regulam o equilíbrio da criação. Toda vez que o exercício da liberdade humana fere a lei do amor,o ser entra em desequilíbrio consigo mesmo e com o universo,e quando insiste em seu comportamento,confirmando tendências e hábitos,e muitas vezes construindo vícios na alma,aciona mecanismos automáticos e naturais de reequilíbrio e re-harmonização perante a lei divina,que está inscrita na sua consciência. Guiado pelo amor,o ser evolui construindo o seu percurso da maneira que lhe apraz,determinado ações que geram reações,dentro da lei de progresso inexorável. Dessa forma,atrai para si as circunstâncias a que faz juz e que necessita,com vistas ao crescimento,bem como constrói circunstâncias que não seriam exatamente necessárias para seu progresso,mas que expressam seu momento evolutivo e suas dificuldades morais. O corpo humano,guardando sabedoria inata a serviço do espírito imortal que o habita e conduz,obedece à consciência profunda manifestando saúde ou doença conforme esteja o ser equilibrado ou desequilibrado perante a lei do amor,seja consigo mesmo ou com o próximo. Nessa visão,as doenças se manifestam como resultado do posicionamento do ser no mundo,de acordo com seu pensar,falar e agir,posicionamento este reafirmado ao longo do tempo,das vidas sucessivas,e muitas vezes cristalizado em atitudes de desamor e desconsideração aos sentimentos superiores do amor,respeito,consideração,etc. A doença se apresenta como um convite,um chamado da alma,manifestando seu momento evolutivo,seus conflitos,seu estado mental e emocional,bem como suas necessidades espirituais. Ao reencarnar,o espírito escolhe o gênero de suas provas e,por meio da análise do seu presente estado,derivado de seu passado espiritual,sabe de suas tendências e predisposições,escolhendo as provas que lhe sirvam como fonte de progresso e expiação das faltas cometidas,visando pacificar a consciência e manifestar saúde total,do corpo e da alma1. André Luiz nos orienta2 que as doenças infecto-contagiosas se estabelecem sobre zonas de predisposição mórbida que existam no psiquismo e no corpo espiritual,como conseqüência natural da ressonância magnética e da necessidade de reequilíbrio do ser imortal. A infecção pelo HIV é uma circunstância atraída pelo indivíduo para sua vida por variados motivos,que devem sempre ser individualizados,mas que,em linha gerais,podemos dizer que oportuniza o desenvolvimento do auto-amor,do auto-cuidado,da individuação,o estabelecimento de limites e,sobretudo,a reeducação sexual e afetiva profundas,quando este aproveita a condição para seu despertamento espiritual. André Luiz nos esclarece3 que “muito raramente não estão as doenças diretamente relacionadas ao psiquismo. Todos os órgãos são subordinados à ascendência moral.” O padrão mental e emocional do portador do vírus,bem como as mudanças que faça para tornar-se mais amoroso consigo mesmo e com o próximo,mais cuidadoso com as relações afetivas e com os compromissos assumidos com outros corações,atuarão diretamente na intimidade das células e do sistema imunológico,ativando as defesas naturais do corpo e inibindo a replicação viral. Dessa forma,o HIV pode se tornar uma doença crônica controlável,assim como o diabetes ou a hipertensão arterial,não acarretando sofrimentos dispensáveis visto que o amor cumpriu seu papel educativo na vida do indivíduo. A mensagem do Cristo,expressa na sabedoria do evangelho,convida a todos a refletir na sua posição como filhos de Deus,no seu papel co-criador e no desenvolvimento dos dons divinos que haja em si. Ela representa a fórmula de saúde por excelência,conduzindo o homem de volta a Deus. O espírito Joseph Gleber,médico alemão do séc. XX,nos informa4 que “Saúde é a real conexão criatura-criador,e a doença o contrário momentâneo de tal fato”. Útil,portanto,questionar,diante da infecção pelo HIV os por-quês e os para-quês da experiência,extraindo da dor o amadurecimento imprescindível para extinguí-la com proveito. Para tal se faz necessário uma postura permanente de auto-atenção e auto-conhecimento,bem como esforço pelo domínio de si mesmo,dentro da perspectiva otimista e esperançosa que o evangelho propõe. Nessa visão não cabem culpas,pensamentos ou ações depressivas e auto-punitivas,e sim coragem e ânimo renovado para vencer-se a cada dia,desenvolvendo o auto-amor que auxilie a despertar o amor ao próximo,como medidas de cura efetiva da alma. O espírito Franklim nos oferece5 um testemunho de sua experiência de amadurecimento com o HIV,dizendo “No meu caso em particular,a aids funcionou como o anjo da dor que me libertou das garras da viciação e do desequilíbrio moral. Talvez alguns estranhem por eu falar dessa forma,mas após a jornada triste e sombria que eu realizei,quando encarnado,nas loucuras do desregramento,a doença realmente funcionou como um freio,proporcionando-me a oportunidade de rever meus passos na vida moral,e,graças à ajuda dos amigos espirituais,pude libertar a minha consciência do pesadelo do mal e do desequilíbrio” A doutrina espírita,ofertando esclarecimentos e orientações sobre a natureza do ser e sua íntima relação com a matéria,as conseqüências físicas e morais de seus atos, oferece amplo caminho de aceitação de si mesmo e responsabilização espiritual perante as circunstâncias do caminho. A fluidoterapia,por meio dos passes e água magnetizada,bem como a renovação dos padrões da alma,são recursos medicamentosos efetivos e profundos oferecidos gratuitamente,bastando a aceitação do sujeito de suas responsabilidades e potencialidades espirituais e a decisão por melhorar-se continuamente na marcha do progresso. A casa espírita,enquanto local sagrado de acolhimento e educação dos convidados de Jesus,deve ser o espaço de fraternidade e instrução,que abra os passos para os portadores do vírus HIV e das demais patologias,que desejem se entender sob a visão imortalista espírita,sem críticas,preconceitos ou julgamentos. O trabalho espírita,centrado no amor ao próximo orientado por Jesus,é o trabalho de compaixão e misericórdia,ofertando àqueles que assim desejem campo abençoado de estudo e trabalho,renovação e entendimento,para a conquista da saúde integral. Finalmente,a casa espírita deve cumprir seu papel de estimuladora e propiciadora das práticas no bem,nosso maior e melhor advogado em todas as horas. Diz-nos Emmanuel que “quando a justiça nos procure para acerto de contas,se nos encontra trabalhando em favor do próximo,manda a misericórdia divina que ela retorne sobre seus passos sem data prevista de retorno”. E complementa André Luiz2: “o bem constante gera o bem constante e,mantida a nossa movimentação infatigável no bem,todo o mal por nós amontoado se atenua,gradativamente,desaparecendo ao impacto das vibrações de auxilio,nascidas,a nosso favor,em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro,sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que,eventualmente,se nos incorporem,ainda,ao fundo mental. Amparo aos outros cria amparo a nós próprios,motivo porque os princípios de Jesus,desterrando de nós animalidade e orgulho,vaidade e cobiça,crueldade e avareza,e exortando-nos à simplicidade e à humildade,à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional,estabelecem,quando observados,a imunologia perfeita em nossa vida interior,fortalecendo-nos o poder da mente na auto-defensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus”. Andrei Moreira Médico de família e comunidade e Homeopata Presidente da Associação Médico-Espírita de MG – Brasil www.amemg.com.br / ammsouza@hotmail.com Referências e Para saber mais… - O Livro dos Espíritos – Allan Kardec q. 258 e 264 em especiais
- Evolução em dois mundos – parte II,cap. XX – André Luiz /Francisco cândido Xavier
- Missionários da Luz – André Luiz /Francisco cândido Xavier
- O Homem Sadio – Espíritos diversos/Roberto Lúcio e Alcione Albuquerque
- Canção da Esperança – diário de um jovem que viveu com AIDS – Ângelo Inácio/ Robson Pinheiro
- A Alma da Matéria – Marlene Nobre
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