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  • 25 de abril de 2012Início da contagem:

Psicose – Uma visão médico-espírita

- Trabalho apresentado no I Congresso de Saúde e Espiritualidade de MG,em agosto de 2006,na sede da Associação Médica de MG,em Belo Horizonte,MG. Carlos Eduardo Sobreira Maciel

1- O objetivo deste trabalho é a ampliação da  compreensão da  patologia psicótica através da aproximação dos conhecimentos médicos e espíritas,e assim demonstrar como a Doutrina Espírita pode desembrutecer a psiquiatria.

“O espiritismo e a ciência se completam reciprocamente;a ciência,sem o espiritismo,se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria;ao espiritismo,sem a ciência,faltariam apoio e comprovação” kardec  (“A Gênese”,pág 20)

2- Psicopatologia:(o que é psicose?)

n  Literatura médica – Segundo os tratados de psiquiatria,psicose é um grave transtorno mental,caracterizado por um processo de ruptura na linha de vida do paciente com profundas alterações das suas funções psíquicas.

n  Faces do transtorno psicótico – A psicose pode se manifestar de diversas formas,como transtornos afetivo bipolar,esquizoafetivo,paranóia,esquizofrenias,etc.

n  Sinais e sintomas:manifestações das funções psíquicas alteradas.

àfunções psíquicas alteradas:alterações do pensamento delírios;eco do pensamento;inserção ou roubo do pensamento;irradiação do pensamento;interceptações no curso do pensamento resultando em discurso incoerente,  neologismos;alterações da percepção:alucinações- auditivas,visuais,cenestésicas,cinestésicas,gustativas,olfativas,táteis;alterações afetivas:embotamento,inadequação,labilidade;alterações comportamentais:catatônicas,tais como excitação,  flexibilidade cérea,negativismo,mutismo;bizarrices;risos imotivados;solilóquios;alterações das características da “consciência do Eu”,funções psíquicas que dão à pessoa normal um senso de individualidade,unicidade e de direção de si mesmo.

3 –Psicopatologia:

n  Literatura espírita:

àMentor Carlos (orient.med. 11.11.02)- nos arquivos da AMEMG,temos Carlos explicando que o pensamento delirante é construído a partir de uma regressão do ser em desequilíbrio  às fases mais primitivas da infância,como observamos em hebefrênicos com sua puerilidade,ou a situações mais remotas como vemos nos paranóicos e seus delírios sistematizados que muitas vezes são lembranças reencarnatórias do indivíduo.

4 –Psicopatologia

àMentor Homero (orientação mediúnica 09.09.02):segundo Homero,as alucinações tem 2 origens. O conteúdo alucinatório pode ser fruto do inconsciente do paciente que se reporta às suas vivências passadas ou são pesadelos,imagens oníricas do processo de alienação sem ligação com experiências passadas. As alucinações mais ricas tanto em detalhes quanto numa construção aparentemente lógica estariam no primeiro grupo. Enquanto que,os processos muito desagregados estariam no segundo. Aqui devemos nos lembrar do conceito pobre de alucinação – percepção sem objeto. O paciente ouve ou enxerga o seu próprio inconsciente!

5 –Etiopatogenia:

-  Literatura médica

-Genoma (Nos últimos anos o seqüenciamento de nosso genoma tem representado um passo essencial no entendimento da biologia humana e estudos recentes demonstraram que há pelo menos 27 genes ou regiões genômicas possivelmente associadas com a esquizofrenia. Portanto a ciência chegou até o material genético,no núcleo de nossas células e identificou ali,possíveis causas da psicose. Esta predisposição genética em um indivíduo previamente sadio,faria com que em determinado momento de sua vida,em determinada circunstância,que chamamos de desencadeante.

-Distúrbios neuroquímicos:certas áreas cerebrais sofreriam distúrbios em seus neurotransmissores à dopamina,serotonina,dentre outros à Psicose)

6 –Etiopatogenia:

n  Literatura espírita:

-Mentor Carlos (orientação mediúnica 29.07.02):Carlos nos convida a lançarmos o nosso olhar mais além para descobrirmos que há uma etiopatogenia espiritual.

Explica que a causa da psicose antecede a composição genética,segue pelas reencarnações anteriores,onde o indivíduo agiu com crueldade,repetidas vezes,criando um campo psíquico propício para o surgimento da psicose.

7 –Etiopatogenia:

- Dr. Bezerra de Menezes (Loucura e Obsessão):explica o mecanismo através do qual  a psicose é formada naquele campo propício (de Homero) ponte entre a causa (Homero) e defeito genético (ciência).

Explicação para aquilo que está sendo descoberto pela genética. A consciência desencarnada repleta de culpa imprime no perispírito os remorsos ( marca o DNA)à perturbando o SNC (distúrbio neuroquímico ).

8 –Prognóstico:

-  Literatura médica:

- Prognóstico geralmente mais grave do que os outros quadros psiquiátricos,

- Evolução – tendência a cronificação,com déficit cognitivo,

- Agudização – crises que geralmente necessitam de internação.

9 –Prognóstico:

-  Literatura espírita

à A explicação para tal gravidade em relação às outras patologias psiquiátricas está no fato de que há lesão de estruturas mais sutis do perispírito,corpo mental,ao passo que nas depressões,fobias e outras ,temos lesão de corpo emocional.

10 –Psicose e obsessão espiritual:

# Fronteiras divisórias entre os episódios psicopatológicos e os obsessivos. O espírito Manoel Philomeno De Miranda,no livro “Loucura e Obsessão”,esclarece que o Espiritismo não nega a loucura,mas o mentor chama a atenção para a necessidade de melhor identificarmos as fronteiras divisórias entre os episódios psicopatológicos e os obsessivos.

Dentro desta perspectiva devemos sempre considerar a comorbidade loucura e obsessão e ainda os quadros de obsessão pura.

-Caso clínico (HEAL):rapaz de 19 anos,com crises de agitação psicomotora e heteroagressividade,intercaladas com períodos de plena sanidade mental. Não se caracterizou como quadros médicos puros. Detectada grave obsessão,subjugação com mudança na tonalidade da voz e na força física do obsediado.

-Caso clínico (Loucura e Obsessão):  Paciente portador,segundo os médicos,de esquizofrenia catatônica. Dr. Bezerra De Menezes,no plano espiritual,examinou o paciente,mergulhando nos arquivos perispirituais,elucidou que o diagnóstico psiquiátrico era exato. Esclareceu ainda que havia além da doença,processo de resgate de faltas graves,a presença de alguns adversários espirituais que se lhe vinculavam,como cobradores impenitentes.

# Doença mental como antena emissora e receptora – O que se observa é que há casos de obsessão pura aparentando psicose,mas  é altíssimo o índice de obsessão espiritual em casos de psicose.         Encontramos uma explicação para a grande incidência de patologias mentais concomitantes às obsessões espirituais em um artigo do Dr Roberto Lúcio,na revista Delfos:“… a obsessão é um processo de afinidade mental negativa e o portador de doença mental é sempre uma antena estragada que atrai entidades espirituais doentias para si…”.)

11 –Tratamento:

-  Biológicos;

- Psicofármacos – realizado com medicamentos que possuem ação sobre os neurotransmissores envolvidos na doença.

- Eletroconvulsoterapia – introduzida em 1938;eficácia e segurança claramente estabelecidas;controvérsia ideológica trazida pelo movimento antipsiquiátrico e pelos presumíveis efeitos deletérios (nunca comprovados) sobre o cérebro;consiste na aplicação de uma série de estímulos elétricos para desencadear uma crise convulsiva,com duração de 25 segundos de manifestações motoras ou 20 segundos de manifestações eletroencefalográficas com finalidades terapêuticas;riscos:a mortalidade associada à ECT é a mesma associada à anestesia geral para uma pequena cirurgia (1 morte para 10000 pacientes tratados.

-  Psicoterápico (através de recursos da psicologia e terapia ocupacional)

-  Desobsessivo

12 –Tratamento:

-  Literatura espírita

- Mentor Calderaro (No Mundo Maior):Estudos científicos mostram sua eficácia e segurança,mas não se sabe qual o seu mecanismo de ação. No livro N.M.M,Calderaro explica a André Luiz que a eletroconvulsoterapia age no perispírito reajustando os centros de força e conseqüentemente os neurônios.

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Tratamento:

à Mentor Rafael (orientação mediúnica 16.12.02):Nos fala de uma possibilidade psicoterápica através da valorização da paz e do reaprendizado do carinho e da confiança,já que trilharam o sentido oposto,num caminho que  levou à doença psicótica.

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Referências bibliográficas:

1.   CID 10,OMS,10ª edição.

2.   Condutas em Psiquiatria,4ª ed.,ed.Lemos.

3.   Revista de Psiquiatria Clínica,volume 31,nº 1,2004.

4.   Loucura e Obsessão,Divaldo P. Franco,Manoel P. De Miranda.

5.   Revista Delfos,ano 4,nº 18.

6.   No Mundo Maior,cap. 7,Chico Xavier,André Luiz.

7.   Orientações espirituais,Mentores da AMEMG.

Amor,perdão,cura e autocura Entrevista com Andrei Moreira

Fonte:Nosso Jornal – Folha Comunitária de Abaeté,02/12/10

Dr. Andrei,o que é a saúde,a doença,cura e a autocura na abordagem médico-espírita?

A saúde é entendida como o reflexo do equilíbrio do ser em relação às leis divinas. Na visão espírita,o homem é um ser imortal,alguém que preexiste à vida física,que sobrevive ao fenômeno biológico da morte e,ao longo do processo evolutivo,através da reencarnação,vai crescendo,desenvolvendo-se em direção a Deus. A saúde do corpo físico é um reflexo do nível de equilíbrio desse espírito no processo evolutivo perante o amor,o belo e o bem. Já a doença é uma sinalização interior de reequilíbrio,convidando o ser a reconectar-se com o amor e com a fonte. É uma mensagem gerada no mais profundo da realidade espiritual do ser e que se reflete no corpo físico como um convite à reconexão com o amor,ao desenvolvimento do autoamor e do amor ao próximo. Nessa visão,a saúde e o adoecimento são construções do próprio homem e ninguém é vítima de nada,senão de si mesmo,das suas próprias decisões,das suas próprias escolhas,daquilo que decide e determina em sua vida. Portanto,toda cura é também um fenômeno de autocura,porque,para que ela se instale em definitivo,é necessário que haja não simplesmente um alívio dos sintomas e uma resolução do processo biológico no corpo físico,mas também uma reformulação moral do pensamento,do sentimento e da ação,fazendo com que o ser esteja transformado em profundidade,em consonância com a lei divina,ou seja,mais em sintonia com a lei do amor.

O amor é,então,o caminho para a cura?

O amor é o grande medicamento,é a grande finalidade da existência. Na verdade,nós caminhamos em direção a Deus como o “filho pródigo” da parábola de Jesus,reconectando nossa relação com o Pai e retornando para a casa de Deus,que,na verdade,é dentro do nosso próprio coração,onde Deus está. Pouco a pouco,vamos fazendo isso,descobrindo as nossas virtudes,a grandeza íntima que há dentro de nós,tudo aquilo que Deus nos deu como possibilidade evolutiva e que pode nos realizar plenamente. Nesse contexto,o amor representa um movimento medicamentoso por excelência,enquanto movimento de respeito,de consideração,de valorização,de inclusão,de consideração. Ele nos trata as doenças da alma,que são orgulho,egoísmo,vaidade,prepotência,arrogância,e nos coloca em sintonia com a fonte,que é Deus,nos auxiliando a reconectar-nos com o Pai. Desenvolver o amor é o caminho mais rápido,fácil e eficaz para a cura da alma e do corpo.

Nos seminários,você apresentou também o perdão como o caminho para a saúde integral. Fale um pouquinho sobre isso.

Sim,o perdão é condição essencial para a saúde. Sem o perdão,não há paz interior,não há saúde nem física,nem emocional. Shakespeare dizia que não perdoar ou guardar mágoa é como beber veneno,desejando que o outro morra. O veneno age naquele que o guarda,que o cultiva dentro de si. E a mágoa atua dentro de nós na semelhança de uma planta que,uma vez guardada,cultivada,vai crescendo,criando raízes,dá flores,frutos e multiplica-se. E nós acabamos enredados em uma série de dores emocionais,sem que nem saibamos,às vezes,onde tudo começou. Tudo porque vamos guardando as coisas dentro de nós,sem trabalhar,sem dialogar,sem metabolizar emocionalmente aquilo que estamos sentindo,vivenciando. Quando vemos,a situação está numa questão muito profunda e muito grave.

Para que tenhamos paz,é necessário que abracemos o perdão como um projeto. O perdão é uma decisão pela paz,que se traduz em atitudes pelo estabelecimento dessa paz,no entendimento das questões emocionais,das nossas características pessoais,das circunstâncias que envolvem o ato agressor e da responsabilidade e co-responsabilidade nossa no processo. Ele se traduz como um processo,porque não se dá da noite para o dia. Ele se constrói ao longo do tempo e através de atitudes sucessivas de busca dessa metabolização emocional que,muitas vezes,precisa de um acompanhamento terapêutico profissional,através de um psicólogo que faça essa abordagem íntima e ajude-nos a encontrar nossas respostas,sentidos e significados mais profundos.

O perdão passa também pelo acolhimento e aceitação da nossa humanidade e da humanidade do outro,sobretudo,na superação dos traumas,porque só aceitando a condição fundamental do ser humano,de estar num processo contínuo de erro e acerto,é que a gente dá conta de conviver com os equívocos do outro que nos fere e até mesmo com os nossos mesmos. Naturalmente,nós só fazemos para o outro aquilo que fazemos para nós. Então,nós só conseguimos aceitar a humanidade do outro quando aceitamos a nossa própria humanidade,quando acolhemos em nós a nossa capacidade de errar e recomeçar,abraçando o auto-amor como uma proposta de vida. O autoamor é filho da humildade,uma das representações magníficas da amorosidade divina,aquela decisão interna de nos acolher,de nos tratar com ternura,compaixão e com a benevolência que nós necessitamos,embora com a firmeza necessária para domar as nossas paixões e renovarmo-nos de nossos defeitos que julguemos necessários. Então,o perdão é uma atitude de conquista desse estado de paz interior,através do entendimento das circunstâncias que nos envolvem e da decisão pelo amor.

Em Abaeté,é muito grande o número de pessoas viciadas em anti-depressivos,ansiolíticos,bebidas e drogas pesadas,como o crack. O que você poderia falar para essas pessoas?

Toda dependência é uma busca de aplacar o vazio interior através de coisas externas. Mas esse vazio interior,que nós todos temos,só é aplacado pela presença do autoamor. O vazio é um vazio do amor,mas esse amor que nos falta não é o amor que vem do outro,é o amor que vem de dentro,é o amor que a gente pode se dar. Então,para o tratamento e a profilaxia de qualquer processo de dependência,é importante ensinar as pessoas a se valorizarem,se respeitarem,se gostarem. A estabelecerem relações familiares honestas em que as pessoas dialoguem,conversem,estejam atentas umas às outras e partilhem suas emoções,mostrando-se,não de forma idealizada,mas de forma honesta,real,ensinando cada um a ver,em todos nós,luz e sombra,beleza e feúra,coisas positivas e negativas. Nós precisamos aprender a acolher esses dois lados,aprendendo a transformar aquilo que não amamos em nós e a valorizar e desenvolver aquilo que há de bom,de positivo.

A depressão passa pela não aceitação da vida. Há uma mensagem subliminar no depressivo que é:“como não tenho a vida que desejo,não aceito a vida que tenho”. Há também uma mensagem da arrogância,da prepotência de acreditar que,ferindo a si mesmo,fere a própria sociedade,fere o mundo. Muitas vezes,por trás da depressão,há culpas e processos autopunitivos profundos,em virtude da ausência da humildade,em se permitir aceitar a vida como pode ser e de recomeçar quantas vezes forem necessárias para se alcançar a felicidade.

No tratamento da depressão,é importante abordar a questão do desenvolvimento da aceitação da vida,da submissão ativa a Deus. Isso significa “aceitar a vida tal como ela está,mas fazendo tudo para se buscar aquilo que se deseja”,sem abandonar o prazer de viver,sem entrar naquela tristeza patológica,aquela tristeza excessiva que se configura como estado depressivo.

Os antidepressivos são muito úteis quando bem indicados durante um certo período,mas não podem virar uma muleta,eles não são a pílula da felicidade,não podem ser a fonte que nos dão a realização íntima,que aplacam a nossa dor. Nós temos,hoje,na nossa sociedade,uma medicalização excessiva,um uso abusivo de medicamentos,porque não aprendemos a lidar com naturalidade com as nossas emoções. O medo,a tristeza,a raiva,a alegria são emoções básicas,e nós temos que aprender a lidar com elas. Quando não lidamos de forma natural é que elas adoecem,se transformando em mágoa,em pânico,em euforia ou em depressão.

Na nossa sociedade,observamos que há um excesso de medicalização das emoções naturais. Tão logo a pessoa fica triste,já entra com um antidepressivo,um ansiolítico para que ela evite lidar com sua ansiedade ou sua tristeza. Mas a ansiedade e a tristeza são situações naturais da vida,que até um determinado nível são muito positivas e que nos falam muito a respeito de nós mesmos. É importante que o autoconhecimento guie o processo,pra que entendamos o que está acontecendo na nossa alma e na nossa vida. Marta Medeiros fala,de uma forma muito bela,que a tristeza é o quartinho do fundo onde a gente analisa a nossa vida. E é isso que nós temos que aprender:a estudar nossas emoções,nossas características,para retirar delas ensinamentos preciosos a respeito de nós mesmos e do outro e,com isso,nos tornarmos pessoas melhores.

O suicídio pode ser visto como uma doença da alma?

O suicídio é um ato de desespero em que o sujeito tenta matar a dor que há nele e,muitas vezes,ele envolve a família e os outros numa situação de dor ainda maior do que aquela que era a dor original. Por isso,também é uma manifestação de egoísmo. Nós devemos evitar o suicídio em nossa sociedade,estabelecendo acolhimento à dor emocional das pessoas,através de serviços competentes em que as pessoas possam ser escutadas,ouvidas,acolhidas e onde possam ser bem orientadas através de um acompanhamento terapêutico com profissionais competentes,que possam nos ajudar a metabolizar as dores e as dificuldades que vivemos. Precisamos,sobretudo,de um ensino religioso e moral que nos dê base e subsídio para entender quem somos,o que viemos fazer e para onde vamos e uma base moral que nos forneça elementos de estímulo ao desenvolvimento das virtudes que são potências da alma e verdadeiros profiláticos contra o suicídio.

Na visão espírita,o suicídio é um ato muito infeliz,porque o indivíduo reconhece-se vivo do outro lado da vida,matando somente o corpo físico. E aquela dor original,além de não estar resolvida,está aumentada pela circunstância do ato agressor à própria vida. Esse é um direito que nenhum de nós tem. Somente a Deus compete dar e retirar a vida. Então,diante daquele que cometeu o suicídio,nós devemos agir com compaixão e misericórdia,enviando-lhe as nossas preces. As orações sinceras daqueles que amam ou mesmo daqueles que têm boa vontade e desejam auxiliar chegam até o coração daqueles que estão em sofrimento do outro lado da vida como verdadeiros bálsamos,alívios e medicamentos que amenizam seu sofrimento e os auxiliam a prosseguir. Como a vida é eterna,cada um terá a oportunidade de se renovar,de recomeçar,embora tendo que lidar com os resultados infelizes que,às vezes,são sofrimentos desnecessários desses atos de desespero.

Na edição de dezembro,o Nosso Jornal abordou um problema preocupante,que é o número crescente de acidentes de trânsito com vítimas fatais,muitas vezes em veículos dirigidos por menores. O que poderíamos dizer,sobretudo aos pais que têm dificuldade em impor limites,em dizer não,e acabam emprestando o carro ou presenteando o filho menor com motocicletas?

Isso não pode acontecer de forma alguma. Os pais não podem abrir mão do seu direito e da sua responsabilidade como educadores. Nossa sociedade exige que,para uma pessoa dirigir,ela esteja habilitada,e isso somente após a maioridade. Os pais têm que aprender a respeitar isso. Se não respeitam essa condição fundamental básica,assumem as consequências pelos erros daqueles que lhes são responsabilidade direta. Nós sabemos que,hoje,é muito difícil para as famílias aprender a colocar limites,porque vivemos processos educacionais que dão muita liberalidade aos jovens,sem o processo educacional que os ensine a usar a liberdade com responsabilidade. Então,os pais,enquanto educadores morais,não podem abrir mão desse papel. Devem ser aqueles que utilizam de vários instrumentos,procuram ajuda profissional se necessário,mas de forma alguma abrem mão do seu papel,desistindo dos adolescentes a eles vinculados. Precisam ser,sim,aqueles que buscam todos os recursos e meios para fornecer ao indivíduo o elemento educacional,que vem,sobretudo,pelo exemplo,porque os adolescentes aprendem muito mais vendo o que os pais fazem,do que escutando o que os pais dizem. O exemplo da família é extremamente importante no processo educacional,e a sociedade deve ter leis e cumprimentos das leis,deve estabelecer processos educativos para menores que sejam pegos sem habilitação,assim como para aqueles que sejam pegos alcoolizados,dirigindo,colocando em risco a sua vida e a vida de outros. E os pais devem agir com responsabilidade também,estabelecendo processos internos na dinâmica familiar que sejam processos delimitadores quando os menores ou quando os indivíduos,mesmo maiores,atinjam esse nível de irresponsabilidade,colocando em risco a sociedade. É dever dos pais fazer essa delimitação.

Inclusive,com internet,não é? Os jogos de internet que são viciantes também…

Jogos viciantes,agressivos,que desenvolvem a agressividade no indivíduo e que,muitas vezes,alienam o indivíduo da vida de relação. Nós temos visto adolescentes viciados em jogos de internet que não priorizam a relação com o outro,o estar fora de casa,o conviver. Com isso,acabam se tornando adultos fechados,reprimidos e com dificuldades de estabelecer laços afetivos profundos. Então,todas as instrumentações da vida são positivas,mas têm que ser limitadas. Os pais têm que limitar o uso da internet,entrar em acordo com seus filhos. Não agir simplesmente de forma autoritária,mas estabelecer acordos para processos educativos que levem o jovem a se envovler com esporte,com a sociabilização,com a educação moral,através da educação religiosa,das atividades sociais,a responsabilização com o bem a seus semelhante. O jovem pode ser direcionado para atividades voluntárias,caritativas,que são extremamente educadoras e fazem o jovem conhecer outras realidades,vislumbrar outras perspectivas e,muitas vezes,ressignificar a própria vida e o próprio contexto. É dever dos pais estabelecer os limites e as regras da convivência sem abrir mão desse direito e dessa obrigação moral que eles têm.

Esse ciclo de palestras em Abaeté foi também o lançamento do seu livro “Cura e Autocura”. Fale um pouquinho sobre esse trabalho.

“Cura e Autocura,uma visão médico-espírita”,é uma publicação da Ame editora,o órgão editorial da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais,e aborda a saúde e o adoecimento dentro da visão espírita. São 16 capítulos,abordando diversos aspectos como,por exemplo,o perdão como caminho de cura,a caridade como instrumento de cura,a ação do pensamento na saúde e na doença,as curas de Jesus,a saúde e o adoecimento na visão espírita,terapêutica,médico-espírita,bem como o terapeuta como curador e outros assuntos,com apresentação de casos,de trabalhos práticos também nesse sentido,sobretudo o amor e o auto-amor como caminhos de encontro do ser consigo mesmo e de cura do corpo e da alma. Esses livros podem ser adquiridos diretamente na editora através do telefone (31) 3332-5293,pelo site www.amemg.com.br ou nas grandes livrarias em Belo Horizonte.

Para finalizar,deixe uma mensagem de Natal para nossos leitores.

A mensagem de Natal que eu deixo é que todos nós aprendamos a reconhecer em Jesus o guia e modelo de nossas vidas. Ele é a síntese do amor universal,é o grande representante da ética transpessoal do amor,do belo e do bem. Nós temos que entender que sua mensagem não é uma mensagem religiosa para ser vivida nas igrejas,nos centros,nos cultos,mas é uma mensagem para todo dia,para todo e qualquer instante. É uma mensagem de transformação e renovação da alma,de reconexão com o Pai,com o Criador dentro de nós,de religação com a fonte do eterno bem e do belo dentro de nós. As virtudes pregadas e vividas pelo Cristo são a grande referência de vida para que nós conquistemos um padrão de comportamento que seja superior e exemplar,que pacifica nossas almas e realiza nossos espíritos. Deve ser uma mensagem que está muito mais na prática do que nos nossos lábios. Ela tem que estar nas nossas ações,sendo esforço e vivência no dia-a-dia. Ela é a força que pode renovar e transformar a nossa sociedade.

Diabetes – Uma visão Médico-Espírita

A Diabetes é uma doença caracterizada pela elevada taxa de glicose (açúcar) no sangue,devido a deficiência na produção de insulina ou na dificuldade de ação desse hormônio no organismo. Atualmente,há cerca de 240 milhões de portadores da Diabetes em todo o mundo,e estima-se que em 2025 esse número chagará a 350 milhões.

A Diabetes melitus pode ser dividida em tipo I e tipo II e tem raízes,do ponto de vista médico,na interação de fatores genéticos com estímulos ambientais. A Tipo I acomete indivíduos na infância e adolescência e caracteriza-se por ser uma doença auto-inume,ou seja,o organismo produz anticorpos contra as células Beta do pâncreas,produtoras de insulina,levando à deficiência desse hormônio. Há a necessidade de se administrar a insulina por via subcutânea para repor a falta desse importante hormônio controlador do metabolismo de carboidratos,proteínas e lipídeos. Já o Tipo II é a diabetes que é decorrente predominantemente de fatores ambientais e comportamentais,sendo a obesidade,sobretudo a abdominal,o principal fator de risco para seu desenvolvimento. Há a produção normal ou pouco diminuída de insulina,mas ela não consegue exercer o seu papel nas células devido à resistência nos tecidos,que impedem sua absorção e ação intracelular. Há a necessidade de se administrar fármacos hipoglicemiantes,que reduzem a taxa de açúcar no sangue,pois a glicemia elevada produz um estado de inflamação crônica que pode lesar tecidos e órgãos,gerando complicações,sendo as mais freqüentes a neuropatia,a retinopatia e as lesões renais. Para se evitar desenvolver diabetes e também tratá-la,o mais recomendado é a adoção de atividades físicas aeróbicas e dieta,rica em saladas verdes,derivados do leite,carne branca e magra,além da redução da ingestão de açúcares e uso de medicações específicas.

Do ponto de vista espiritual,entendemos que as predisposições genéticas que trazemos na reencarnação falam de nosso passado espiritual e de nossas tendências,mas,sobretudo de nossas necessidades reeducativas. A Diabetes é,de forma geral,um grande convite ao aprendizado do limite e do auto-amor. Ao invés de ser um castigo divino ou uma punição por erros ou ainda carma,como alguns acreditam,essa doença se apresenta como expressão de nossas escolhas e construções individuais ao longo dos tempos. É,portanto,recurso de autodomínio e autoconhecimento,que promove o seu portador,quando este aproveita a oportunidade para vencer a si mesmo,a um estado de maior equilíbrio e harmonia do que tinha antes,ao reencarnar,lembrando que somos todos espíritos imortais e não meros seres carnais vivenciando uma experiência passageira. Segundo proposta do Dr. César Geremias,endocrinologista gaúcho,a Diabetes tipo I,por suas características,teria raízes na auto-agressão,culpa,vitimização e autopunição,manifestações da falta de auto-perdão e sobretudo do orgulho,sentimento base que seria o núcleo principal a ser trabalhado nesse caso. Já a Diabetes tipo II teria suas raízes na falta de auto-cuidado,no hedonismo excessivo,na exaustão das energias psicofísicas e excesso de auto-preservação,manifestações diferenciadas do egoísmo,que seria o núcleo principal ou sentimento base nesse caso. Perceber essas características em si,reconhecê-las,acolhê-las e esforçar por transformá-las,no processo reeducativo que a doença convida,seria o objetivo maior da doença,lembrando-se sempre que é necessário individualizar cada caso e somente o autoconhecimento poderá fornecer a indicação segura das necessidades de cada um. Mas,independente de sua origem,a Diabetes é um grande convite ao auto-amor,à auto-preservação e à superação de si mesmo,caminhos de paz interior e saúde integral.

Dr. Andrei Moreira

Médico generalista integrante de uma equipe do PSF em BH/MG

Presidente da Associação Médico-Espírita de MG

ammsouza@hotmail.comwww.amemg.com.br

“A Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal”. Entrevista com Andrei Moreira

  1. Homossexualidade é ou não uma doença à luz do Espírito imortal?

“Desde 1973,a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento,deixando de considerar a homossexualidade como doença. No Brasil,em 1985,o Conselho Federal de Psicologia deixa de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e,em 1999,estabelece regras para a atuação dos psicólogos em relação à questões de orientação sexual,declarando que “a homossexualidade não constitui doença,nem distúrbio e nem perversão” e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. No dia 17 de Maio de 1990 a Assembléia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais,a Classificação internacional de doenças (sigla CID). Por fim,em 1991,a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos” – Wikypedia

A Homossexualidade,segundo a ciência,é uma orientação afetivo-sexual normal. Sob o ponto de vista espírita,tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade,em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa. Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita,mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito,acolhimento e inclusão da pessoa homossexual,entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo “natural” como sinônimo de “presente na natureza”),decorrente de múltiplos fatores,sempre individuais para cada espírito,construída ou escolhida pelo espírito,em função de tarefas específicas ou provas redentoras,incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado,que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais,segundo a literatura espírita.

2. Qual a diferença entre orientação e escolha sexual?

Orientação sexual representa o desejo e o interesse afetivo-sexual (note bem:não somente sexual,mas também afetivo) do indivíduo,decorrente de múltiplos fatores,os quais determinam com qual sexo ele se sente realizado para uma parceria íntima.  A orientação sexual é fruto da história pessoal do indivíduo,presente e passada;é influenciada pela cultura e pelas identificações psicológicas,porém não controlada ou determinada conscientemente pelo indivíduo. Nasce-se com ela. Escolha é fruto da decisão consciente de se viver ou não a orientação,aceitá-la ou reprimi-la,de acordo com as idealizações e a pressão familiar-social-cultural do meio em que o indivíduo se encontra reencarnado.

3. O homem homossexual se sente uma mulher? A mulher homossexual se sente um homem?

De forma alguma. Identidade e orientação sexual são coisas distintas. Identidade é como o indivíduo se sente,a qual sexo pertence,com qual sexo se identifica psicologicamente. A orientação homossexual representa exclusivamente o direcionamento do afeto e do interesse sexual para indivíduos do mesmo sexo. O homem homossexual tem a sua identidade masculina,sente-se homem,embora possa ou não ter trejeitos afeminados,conforme sua história e identificação psicológica. Igualmente,a mulher homossexual tem a identidade feminina,embora possa ter ou não trejeitos masculinizados. Quando o indivíduo está em um corpo de um sexo,e sua identidade é a do sexo oposto,dizemos que ele é transexual,que é diferente do homossexual.

4. Em todos os casos,o espírito já renasce homossexual? É possível reverter essa orientação?

Há uma diferença entre comportamento homossexual e identidade afetivo-sexual homossexual. Observamos comportamentos homossexuais em indivíduos com doenças psiquiátricas,entre presidiários e soldados em guerra;nessas condições,na ausência da figura feminina,a prática sexual entre iguais praticada por muitos como campo de liberação das tensões sexuais e da busca do prazer. Isso não quer dizer que eles sejam homossexuais. O indivíduo com identidade homossexual é aquele que se sente atraído afetiva e sexualmente por pessoa do mesmo sexo,o que pode ser percebido ou descoberto em diferentes fases da vida do indivíduo. Não podemos afirmar que todos os homossexuais tenham nascido com essa orientação,pois a variedade de manifestações nessa área nos remete a múltiplas causas,embora a literatura mediúnica espírita nos informe de que em boa parte dos casos as pessoas homossexuais trazem de seu passado espiritual a fonte de sua orientação presente.

Não sendo,em si,uma condição maléfica para o indivíduo,mas neutra,podendo ser positiva ou não,dependendo da forma como for vivenciada,não há necessidade de reverter essa condição. A orientação da ciência médica e psicológica atual é de que o indivíduo homossexual que não se aceita e sofre com isso deve ser classificado como portador de transtorno egodistônico,e os esforços devem se direcionar no sentido de auxiliá-lo a se aceitar e se amar tal qual é,sentindo-se digno de amor e respeito,buscando relações que lhe fortaleçam o autoamor e nas quais possa ser natural,espontâneo e verdadeiro,em busca de sua felicidade e de seu progresso.

Há religiosos e profissionais fundamentalistas que oferecem terapia e assistência espiritual,sobretudo em igrejas evangélicas,para que o indivíduo se “cure” da homossexualidade. Não há registros de casos bem sucedidos. O que frequentemente se observa são indivíduos bissexuais alterando o direcionamento do seu afeto para indivíduos do mesmo sexo,porém muitos deles têm relações sexuais clandestinas com pessoas do mesmo sexo e nos procuram nos consultórios cheios de culpa,medo e vergonha por não se sentirem “curados”. Além disso,há os indivíduos homossexuais que decidem vestir a máscara de heterossexuais e por algum tempo formam famílias;frequentemente,saem de casa após algum tempo para viverem o que sentem como sua real atração afetivo-sexual.

5. Existem casos de homossexualidade desenvolvida exclusivamente pela educação na infância? Em caso afirmativo,é possível reverter o processo?

Segundo Freud,sim,o que não significa que seja passível de reversão ou que haja necessidade disso. Segundo o Conselho Federal de Psicologia a identidade e a orientação sexual estruturadas na infância não são passíveis de reversão,e a homossexualidade não é uma condição que necessite reversão,já que não é uma doença e muito menos um desvio moral. Porém,na visão espírita,os benfeitores espirituais nos informam que o espírito,ao reencarnar,já escolhe a natureza de suas provas e as condições familiares sociais e pessoais necessárias ao seu progresso,conforme sua consciência indique a necessidade de reparação dos equívocos do passado e de melhoramento pessoal. Em outras situações,quando o espírito não se encontra maduro para definir suas provas,elas são estabelecidas por orientadores evolutivos,mas,ainda assim,são definidas previamente à reencarnação. Assim,a família,o corpo que a pessoa tem e os principais pontos da existência já estão definidos para patrocinar as condições necessárias ao progresso do indivíduo. Além disso,o espírito traz impressos em si o fruto de suas escolhas,o resultado de suas experiências passadas,em seu psiquismo e no corpo espiritual,a determinar a identidade e a orientação sexual da presente encarnação.

6. Muitos consideram que a abstinência é uma recomendação educativa no caso de homossexualidade. O que você acha?

Abstinência não representa educação do desejo e da prática sexual. Contudo,pode ser uma etapa necessária em certos casos,para a disciplina dos impulsos íntimos,de heterossexuais e homossexuais,quando se percebam necessitados de controle do desejo e da prática sem limites. Também pode acontecer que tenham a condição de abstinência imposta pela misericórdia divina como recurso emergencial de salvação perante circunstâncias de abusos reiterados nessa área.

Diz Ermance Dufaux,no livro Unidos para o Amor:“Abstinência nem sempre é solução e pode ser apenas uma medida disciplinar sem que,necessariamente,signifique um ato educativo. Por educar devemos entender,sobretudo,a desenvoltura de qualidades íntimas capazes de nos habilitar ao trato moral seguro e proveitoso com a vida. (…) A questão da sexualidade é pessoal,intransferível,consciencial e a ética nesse campo passa por muitas e muitas adequações”.

O Espiritismo recomenda a todas as criaturas a conscientização a respeito da sacralidade do corpo físico e da sexualidade,como fonte criativa e criadora,destinada a ser fonte de prazer físico e espiritual,sobretudo de realização íntima para o ser humano,em todas as suas formas de expressão.

Sintetiza Emmanuel,na introdução do livro Vida e Sexo:“(…) em torno do sexo,será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes:Não proibição,mas educação. Não abstinência imposta,mas emprego digno,com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina,mas controle. Não impulso livre,mas responsabilidade (grifos nossos). Fora disso,é teorizar simplesmente,para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso,será enganar-nos,lutar sem proveito,sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal,tantas vezes quantas se fizerem precisas,pelos mecanismos da reencarnação,porque a aplicação do sexo,ante a luz do amor e da vida,é assunto pertinente à consciência de cada um”.

7. O homossexual não consegue de forma alguma ter atração por pessoa do sexo oposto ou isso pode acontecer de forma natural?

Segundo o relatório Kinsey,extensa pesquisa sobre o comportamento sexual humano realizada nos EUA na década de 60 do século XX,pelo biólogo Alfred Kinsey,tanto a homossexualidade como a heterossexualidade absoluta são condições raras em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas tem uma condição de desejo predominante,em graus variáveis. Por exemplo,uma pessoa pode ser 80% heterossexual e 20% homossexual ou vice-versa. É natural,portanto,que uma atração heterossexual possa ocorrer na vida de um indivíduo homossexual,o que muitas vezes é entendido pelo leigo como “cura” da homossexualidade.

Emmanuel nos esclarece a respeito dessa realidade no livro Vida e Sexo,cap.21:“através de milênios e milênios,o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações,ora em posição de feminilidade,ora em condições de masculinidade,o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade,mais ou menos pronunciado,em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão,desse modo,de maneira respectiva,acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina,sem especificação psicológica absoluta.”

Podemos compreender assim que todos os indivíduos trazem em sua intimidade a possibilidade de se sentirem atraídos e se apaixonarem por alguém do mesmo sexo (afinal de contas,  a pessoa se apaixona por um indivíduo completo,e não pelo seu corpo apenas). Isso não significa que vá ou necessite viver essa situação.  O psiquismo atende e responde ao impulso do espírito,que é assexuado,mas que cumpre programas específicos em um ou outro sexo,conforme definição anterior e necessidade evolutiva,inserido em um contexto sociocultural que o limita na percepção e expressão do que vai em sua intimidade profunda.

8. Homem ou mulher que tenham fantasias com pessoas do mesmo sexo podem ser considerados homossexuais?

Na adolescência as experiências homossexuais são naturais,definidas pela psicologia como experiências de experimentação de uma identidade sexual em formação;não atestam,necessariamente,a orientação homossexual. Já no adulto a fantasia é uma das formas de expressão do desejo e da atração homoafetiva e atestam a intimidade da criatura,mesmo que não sejam aceitas pela personalidade consciente.

9. Qual sua avaliação sobre como a comunidade espírita trata a homossexualidade?

Em geral,observamos uma abordagem superficial e discriminatória por parte da comunidade espírita com os homossexuais e a homossexualidade. É compreensível que seja assim,pois todo meio religioso lida com idealizações e preconceitos seculares. Todavia,tal postura pode ser modificada por meio do que recomenda Allan Kardec:estudo sério e aprofundado de um tema para que se possa opinar sobre ele. É lamentável que nós,adeptos de uma fé raciocinada,nos permitamos o mesmo comportamento dos religiosos fundamentalistas.

Observa-se muita opinião pessoal sem fundamento tomada como regra e lei. Tais opiniões costumam ser destituídas de compaixão e amorosidadee terminam por isolar o indivíduo homossexual,tachando-o de doente,perturbado,promíscuo e/ou obsediado. Às vezes ele é até mesmo afastado das atividades espíritas habituais,como se fosse portador de grave moléstia que devesse receber reprovação e crítica por parte da parcela heterossexual “normal” da sociedade. Tais posturas são frequentemente embasadas no tradicional preconceito judaico-cristão-ocidental de que a única e exclusiva função da sexualidade é a procriação humana,tomando a parte pelo todo.

O Espiritismo é uma doutrina livre e libertária,compromissada com o entendimento da natureza íntima do ser humano e o progresso espiritual. Nos dá bases muito ricas de entendimento do psiquismo e da sexualidade do espírito imortal,como instrumentos divinos dados por Deus ao homem para seu aprimoramento e felicidade. Além disso,nos oferece esclarecimento a respeito das condições e situações determinadas pela liberdade do homem,que desvia esses instrumentos superiores de suas funções sagradas.

É imprescindível que se extinga em nosso movimento o preconceito e que os homossexuais tenham campo de trabalho,se dediquem ao estudo e à prática da doutrina espírita,com a mesma naturalidade de heterossexuais. Isso,para que compreendam o papel de sua condição em seu momento evolutivo e a utilizem com respeito e dignidade com vistas ao equacionamento dos dramas internos,ao cumprimento dos planos de trabalho específicos em sua proposta encarnatória e ao seu progresso pessoal,da família e da sociedade da qual faz parte,da mesma maneira como deve fazer o heterossexual.

10.   Como devem se comportar os pais espíritas de um indivíduo que se descubra homossexual?

Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo,com aceitação de sua condição,que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo,inferior,afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais,a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro (a). A postura na vivência da sexualidade,para homossexuais,deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais:dignidade,respeito a si mesmo e ao outro,  valorização da família,da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está  inserido.
O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa se aceitar,se compreender,entendendo o papel dessa condição em sua vida atual,e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta,para aqueles que vivem essa condição,é grande,a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença. A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns,com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem,devendo ser cada membro dessa célula da sociedade,um esteio para que o melhor do outro venha à tona,por meio da experiência amorosa.
Os pais de homossexuais poderão ler e compartilhar interessantes experiências de outros pais no site e nos livros de Edith Modesto:http://www.gph.org.br

Livros:http://www.gph.org.br/publica.asp

11.  Gostaria de acrescentar algo?

Romanos 14:14 “Eu sei,e estou certo no Senhor Jesus,que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera;para esse é imundo.”

Todas as experiências evolutivas onde estejam presentes o autorrespeito,a autoconsideração,a autovalorização e o autoamor são experiências evolutivas promotoras de progresso e evolução,pois aquele que se oferece essas condições naturalmente as estende ao outro na vida. A homossexualidade,independentemente da forma como se haja estruturado como condição evolutiva momentânea do indivíduo,pode ser vivenciada com dignidade e ser um rico campo de experimentação do afeto e construção do amor,desde que aqueles que a vivam se lembrem de que são espíritos imortais e de que a vida na matéria é tempo de plantio para a eternidade,no terreno do sentimento e das conquistas evolutivas propiciadas pelo amor,em qualquer de suas infinitas manifestações.

Diz-nos Emmanuel no livro Vida e Sexo,lição 21 – Homossexualidade,ed. Feb:

“A coletividade humana aprenderá,gradativamente,a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos,para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana,de vez que a individualidade,em si,exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência.”

E complementa André Luiz,no livro Sexo e destino –  Cap. 5,  pág 155 – ed. Feb:

“(…) no mundo porvindouro os irmãos reencarnados,tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais,serão tratados em pé de igualdade,no mesmo nível de dignidade humana,reparando-se as injustiças achacadas,há séculos,contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas,porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física,quando não fazem deles criaturas hipócritas,com necessidade de mentir incessantemente para viver,sob o sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos.”

Para saber mais:

Indico,entre outros,os seguintes livros espíritas,com abordagens responsáveis e bem fundamentadas sobre o assunto:

1- Vida e sexo,Emmanuel/Chico Xavier,em especial cap. 21 – ed. Feb
2- Sexo e destino e Ação e reação – ambos de André Luiz/Chico Xavier – ed. feb
3- Além do rosa e do azul – Gibson Bastos – Ed. Celd
4- O preço de ser diferente (romance) – Ed. Vida e Consciência

5- Quem perdoa,liberta – José Mário/Wanderley Oliveira – Cap. Homoafetividade e mediunidade

*Andrei Moreira é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Integra,desde 2005,uma equipe do Programa de Saúde da Família,em Belo Horizonte,Minas Gerais.

Especializado em Homeopatia.

Preceptor do Internato em Atenção Integral à Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Alfenas,campus BH,desde 2008.

Participa ativamente do movimento espírita nacional e internacional,proferindo palestras e seminários. Integra equipes de atendimento a pacientes com a metodologia médico-espírita na Amemg.

Presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais,desde 2007.

Autor do livro:Cura e autocura – uma visão médico espírita – AME Editora,2010

ammsouza@hotmail.com -  www.amemg.com.br

HIV-AIDS – Uma visão médico espírita

O HIV é um retrovírus transmitido por via sexual,transfusões sanguíneas,compartilhamento de seringas ou de mãe contaminada para o feto,no parto ou amamentação. Ele se multiplica no organismo destruindo as células de defesa,os glóbulos brancos,mais especificamente os linfócitos T CD4. Quando esse exército natural do corpo humano está bastante diminuído,estabelece-se a imunodeficiência,ou AIDS,que abre as portas para infecções oportunistas que debilitam e causam sofrimento ao indivíduo nessa condição. Atualmente,existem cerca de 40 milhões de portadores do vírus HIV em todo mundo,concentrando-se a maioria na África subsaariana. Existem potentes coquetéis anti-retrovirais que impedem a multiplicação viral,auxiliando a evitar a AIDS,diminuindo doenças oportunistas e aumentando a longevidade e qualidade de vida do portador do vírus.

Na visão espírita,o ser humano é entendido sob o prisma da imortalidade da alma,como um ser eterno,filho de Deus,que marcha rumo ao progresso e à felicidade exercendo a liberdade relativa dada por Deus aos seus filhos. Nesse processo,passa pelas múltiplas vidas sucessivas,ou reencarnação,guiado pelas leis de justiça e misericórdia,ambas derivações da lei do amor,que regulam o equilíbrio da criação. Toda vez que o exercício da liberdade humana fere a lei do amor,o ser entra em desequilíbrio consigo mesmo e com o universo,e quando insiste em seu comportamento,confirmando tendências e hábitos,e muitas vezes construindo vícios na alma,aciona mecanismos automáticos e naturais de reequilíbrio e re-harmonização perante a lei divina,que está inscrita na sua consciência. Guiado pelo amor,o ser evolui construindo o seu percurso da maneira que lhe apraz,determinado ações que geram reações,dentro da lei de progresso inexorável. Dessa forma,atrai para si as circunstâncias a que faz juz e que necessita,com vistas ao crescimento,bem como constrói circunstâncias que não seriam exatamente necessárias para seu progresso,mas que expressam seu momento evolutivo e suas dificuldades morais.

O corpo humano,guardando sabedoria inata a serviço do espírito imortal que o habita e conduz,obedece à consciência profunda manifestando saúde ou doença conforme esteja o ser equilibrado ou desequilibrado perante a lei do amor,seja consigo mesmo ou com o próximo. Nessa visão,as doenças se manifestam como resultado do posicionamento do ser no mundo,de acordo com seu pensar,falar e agir,posicionamento este reafirmado ao longo do tempo,das vidas sucessivas,e muitas vezes cristalizado em atitudes de desamor e desconsideração aos sentimentos superiores do amor,respeito,consideração,etc. A doença se apresenta como um convite,um chamado da alma,manifestando seu momento evolutivo,seus conflitos,seu estado mental e emocional,bem como suas necessidades espirituais.

Ao reencarnar,o espírito escolhe o gênero de suas provas e,por meio da análise do seu presente estado,derivado de seu passado espiritual,sabe de suas tendências e predisposições,escolhendo as provas que lhe sirvam como fonte de progresso e expiação das faltas cometidas,visando pacificar a consciência e manifestar saúde total,do corpo e da alma1.

André Luiz nos orienta2 que as doenças infecto-contagiosas se estabelecem sobre zonas de predisposição mórbida que existam no psiquismo e no corpo espiritual,como conseqüência natural da ressonância magnética e da necessidade de reequilíbrio do ser imortal.  A infecção pelo HIV é uma circunstância atraída pelo indivíduo para sua vida por variados motivos,que devem sempre ser individualizados,mas que,em linha gerais,podemos dizer que oportuniza o desenvolvimento do auto-amor,do auto-cuidado,da individuação,o estabelecimento de limites e,sobretudo,a reeducação sexual e afetiva profundas,quando este aproveita a condição para seu despertamento espiritual.

André Luiz nos esclarece3 que “muito raramente não estão as doenças diretamente relacionadas ao psiquismo. Todos os órgãos são subordinados à ascendência moral.” O padrão mental e emocional do portador do vírus,bem como as mudanças que faça para tornar-se mais amoroso consigo mesmo e com o próximo,mais cuidadoso com as relações afetivas e com os compromissos assumidos com outros corações,atuarão diretamente na intimidade das células e do sistema imunológico,ativando as defesas naturais do corpo e inibindo a replicação viral. Dessa forma,o HIV pode se tornar uma doença crônica controlável,assim como o diabetes ou a hipertensão arterial,não acarretando sofrimentos dispensáveis visto que o amor cumpriu seu papel educativo na vida do indivíduo.

A mensagem do Cristo,expressa na sabedoria do evangelho,convida a todos a refletir na sua posição como filhos de Deus,no seu papel co-criador e no desenvolvimento dos dons divinos que haja em si. Ela representa a fórmula de saúde por excelência,conduzindo o homem de volta a Deus.

O espírito Joseph Gleber,médico alemão do séc. XX,nos informa4 que “Saúde é a real conexão criatura-criador,e a doença o contrário momentâneo de tal fato”. Útil,portanto,questionar,diante da infecção pelo HIV os por-quês e os para-quês da experiência,extraindo da dor o amadurecimento imprescindível para extinguí-la com proveito. Para tal se faz necessário uma postura permanente de auto-atenção e auto-conhecimento,bem como esforço pelo domínio de si mesmo,dentro da perspectiva otimista e esperançosa que o evangelho propõe. Nessa visão não cabem culpas,pensamentos ou ações depressivas e auto-punitivas,e sim coragem e ânimo renovado para vencer-se a cada dia,desenvolvendo o auto-amor que auxilie a despertar o amor ao próximo,como medidas de cura efetiva da alma.

O espírito Franklim nos oferece5 um testemunho de sua experiência de amadurecimento com o HIV,dizendo “No meu caso em particular,a aids funcionou como o anjo da dor que me libertou das garras da viciação e do desequilíbrio moral. Talvez alguns estranhem por eu falar dessa forma,mas após a jornada triste e sombria que eu realizei,quando encarnado,nas loucuras do desregramento,a doença realmente funcionou como um freio,proporcionando-me a oportunidade de rever meus passos na vida moral,e,graças à ajuda dos amigos espirituais,pude libertar a minha consciência do pesadelo do mal e do desequilíbrio”

A doutrina espírita,ofertando esclarecimentos e orientações sobre a natureza do ser e sua íntima relação com a matéria,as conseqüências físicas e morais de seus atos,  oferece amplo caminho de aceitação de si mesmo e responsabilização espiritual perante as circunstâncias do caminho. A fluidoterapia,por meio dos passes e água magnetizada,bem como a renovação dos padrões da alma,são recursos medicamentosos efetivos e profundos oferecidos gratuitamente,bastando a aceitação do sujeito de suas responsabilidades e potencialidades espirituais e a decisão por  melhorar-se continuamente na marcha do progresso.

A casa espírita,enquanto local sagrado de acolhimento e educação dos convidados de Jesus,deve ser o espaço de fraternidade e instrução,que abra os passos para os portadores do vírus HIV e das demais patologias,que desejem se entender sob a visão imortalista espírita,sem críticas,preconceitos ou julgamentos. O trabalho espírita,centrado no amor ao próximo orientado por Jesus,é o trabalho de compaixão e misericórdia,ofertando àqueles que assim desejem campo abençoado de estudo e trabalho,renovação e entendimento,para a conquista da saúde integral.

Finalmente,a casa espírita deve cumprir seu papel de estimuladora e propiciadora das práticas no bem,nosso maior e melhor advogado em todas as horas. Diz-nos Emmanuel que “quando a justiça nos procure para acerto de contas,se nos encontra trabalhando em favor do próximo,manda a misericórdia divina que ela retorne sobre seus passos sem data prevista de retorno”. E complementa André Luiz2: “o bem constante gera o bem constante e,mantida a nossa movimentação infatigável no bem,todo o mal por nós amontoado se atenua,gradativamente,desaparecendo ao impacto das vibrações de auxilio,nascidas,a nosso favor,em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro,sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que,eventualmente,se nos incorporem,ainda,ao fundo mental. Amparo aos outros cria amparo a nós próprios,motivo porque os princípios de Jesus,desterrando de nós animalidade e orgulho,vaidade e cobiça,crueldade e avareza,e exortando-nos à simplicidade e à humildade,à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional,estabelecem,quando observados,a imunologia perfeita em nossa vida interior,fortalecendo-nos o poder da mente na auto-defensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus”.

 

Andrei Moreira

Médico de família e comunidade e Homeopata

Presidente da Associação Médico-Espírita de MG – Brasil

www.amemg.com.br / ammsouza@hotmail.com

Referências e Para saber mais…

  1. O Livro dos Espíritos – Allan Kardec q. 258 e 264 em especiais
  2. Evolução em dois mundos – parte II,cap. XX – André Luiz /Francisco cândido Xavier
  3. Missionários da Luz – André Luiz /Francisco cândido Xavier
  4. O Homem Sadio – Espíritos diversos/Roberto Lúcio e Alcione Albuquerque
  5. Canção da Esperança – diário de um jovem que viveu com AIDS – Ângelo Inácio/ Robson Pinheiro
  6. A Alma da Matéria – Marlene Nobre

Une vision Médicino-Spirite de l’infection par le HIV/ SIDA

O HIV é um retrovírus transmitido por via sexual,transfusões sanguíneas,compartilhamento de seringas ou de mãe contaminada para o feto,no parto ou amamentação. Ele se multiplica no organismo destruindo as células de defesa,os glóbulos brancos,mais especificamente os linfócitos T CD4. Quando esse exército natural do corpo humano está bastante diminuído,estabelece-se a imunodeficiência,ou AIDS,que abre as portas para infecções oportunistas que debilitam e causam sofrimento ao indivíduo nessa condição. Atualmente,existem cerca de 40 milhões de portadores do vírus HIV em todo mundo,concentrando-se a maioria na África subsaariana. Existem potentes coquetéis anti-retrovirais que impedem a multiplicação viral,auxiliando a evitar a AIDS,diminuindo doenças oportunistas e aumentando a longevidade e qualidade de vida do portador do vírus.

Na visão espírita,o ser humano é entendido sob o prisma da imortalidade da alma,como um ser eterno,filho de Deus,que marcha rumo ao progresso e à felicidade exercendo a liberdade relativa dada por Deus aos seus filhos. Nesse processo,passa pelas múltiplas vidas sucessivas,ou reencarnação,guiado pelas leis de justiça e misericórdia,ambas derivações da lei do amor,que regulam o equilíbrio da criação. Toda vez que o exercício da liberdade humana fere a lei do amor,o ser entra em desequilíbrio consigo mesmo e com o universo,e quando insiste em seu comportamento,confirmando tendências e hábitos,e muitas vezes construindo vícios na alma,aciona mecanismos automáticos e naturais de reequilíbrio e re-harmonização perante a lei divina,que está inscrita na sua consciência. Guiado pelo amor,o ser evolui construindo o seu percurso da maneira que lhe apraz,determinado ações que geram reações,dentro da lei de progresso inexorável. Dessa forma,atrai para si as circunstâncias a que faz juz e que necessita,com vistas ao crescimento,bem como constrói circunstâncias que não seriam exatamente necessárias para seu progresso,mas que expressam seu momento evolutivo e suas dificuldades morais.

O corpo humano,guardando sabedoria inata a serviço do espírito imortal que o habita e conduz,obedece à consciência profunda manifestando saúde ou doença conforme esteja o ser equilibrado ou desequilibrado perante a lei do amor,seja consigo mesmo ou com o próximo. Nessa visão,as doenças se manifestam como resultado do posicionamento do ser no mundo,de acordo com seu pensar,falar e agir,posicionamento este reafirmado ao longo do tempo,das vidas sucessivas,e muitas vezes cristalizado em atitudes de desamor e desconsideração aos sentimentos superiores do amor,respeito,consideração,etc. A doença se apresenta como um convite,um chamado da alma,manifestando seu momento evolutivo,seus conflitos,seu estado mental e emocional,bem como suas necessidades espirituais.

Ao reencarnar,o espírito escolhe o gênero de suas provas e,por meio da análise do seu presente estado,derivado de seu passado espiritual,sabe de suas tendências e predisposições,escolhendo as provas que lhe sirvam como fonte de progresso e expiação das faltas cometidas,visando pacificar a consciência e manifestar saúde total,do corpo e da alma1.

André Luiz nos orienta2 que as doenças infecto-contagiosas se estabelecem sobre zonas de predisposição mórbida que existam no psiquismo e no corpo espiritual,como conseqüência natural da ressonância magnética e da necessidade de reequilíbrio do ser imortal.  A infecção pelo HIV é uma circunstância atraída pelo indivíduo para sua vida por variados motivos,que devem sempre ser individualizados,mas que,em linha gerais,podemos dizer que oportuniza o desenvolvimento do auto-amor,do auto-cuidado,da individuação,o estabelecimento de limites e,sobretudo,a reeducação sexual e afetiva profundas,quando este aproveita a condição para seu despertamento espiritual.

André Luiz nos esclarece3 que “muito raramente não estão as doenças diretamente relacionadas ao psiquismo. Todos os órgãos são subordinados à ascendência moral.” O padrão mental e emocional do portador do vírus,bem como as mudanças que faça para tornar-se mais amoroso consigo mesmo e com o próximo,mais cuidadoso com as relações afetivas e com os compromissos assumidos com outros corações,atuarão diretamente na intimidade das células e do sistema imunológico,ativando as defesas naturais do corpo e inibindo a replicação viral. Dessa forma,o HIV pode se tornar uma doença crônica controlável,assim como o diabetes ou a hipertensão arterial,não acarretando sofrimentos dispensáveis visto que o amor cumpriu seu papel educativo na vida do indivíduo.

A mensagem do Cristo,expressa na sabedoria do evangelho,convida a todos a refletir na sua posição como filhos de Deus,no seu papel co-criador e no desenvolvimento dos dons divinos que haja em si. Ela representa a fórmula de saúde por excelência,conduzindo o homem de volta a Deus.

O espírito Joseph Gleber,médico alemão do séc. XX,nos informa4 que “Saúde é a real conexão criatura-criador,e a doença o contrário momentâneo de tal fato”. Útil,portanto,questionar,diante da infecção pelo HIV os por-quês e os para-quês da experiência,extraindo da dor o amadurecimento imprescindível para extinguí-la com proveito. Para tal se faz necessário uma postura permanente de auto-atenção e auto-conhecimento,bem como esforço pelo domínio de si mesmo,dentro da perspectiva otimista e esperançosa que o evangelho propõe. Nessa visão não cabem culpas,pensamentos ou ações depressivas e auto-punitivas,e sim coragem e ânimo renovado para vencer-se a cada dia,desenvolvendo o auto-amor que auxilie a despertar o amor ao próximo,como medidas de cura efetiva da alma.

O espírito Franklim nos oferece5 um testemunho de sua experiência de amadurecimento com o HIV,dizendo “Dans mon cas en particulier,le sida a fonctionné comme l’ange de la douleur qui m’a libéré des griffes du vice et du déséquilibre moral. Certains peuvent trouver étrange que je parle de cette manière,mais après le triste et sombre voyage que j’avais fait,lors de mon incarnation,à travers les folies du monde sans règles,la maladie a réellement fonctionné comme un frein,me donnant l’opportunité de revoir mon parcours dans la vie morale,et,grâce à l’aide des amis spirituels,j’ai pu libérer ma conscience du cauchemar du mal et du déséquilibre”

A doutrina espírita,ofertando esclarecimentos e orientações sobre a natureza do ser e sua íntima relação com a matéria,as conseqüências físicas e morais de seus atos,  oferece amplo caminho de aceitação de si mesmo e responsabilização espiritual perante as circunstâncias do caminho. A fluidoterapia,por meio dos passes e água magnetizada,bem como a renovação dos padrões da alma,são recursos medicamentosos efetivos e profundos oferecidos gratuitamente,bastando a aceitação do sujeito de suas responsabilidades e potencialidades espirituais e a decisão por  melhorar-se continuamente na marcha do progresso.

A casa espírita,enquanto local sagrado de acolhimento e educação dos convidados de Jesus,deve ser o espaço de fraternidade e instrução,que abra os passos para os portadores do vírus HIV e das demais patologias,que desejem se entender sob a visão imortalista espírita,sem críticas,preconceitos ou julgamentos. O trabalho espírita,centrado no amor ao próximo orientado por Jesus,é o trabalho de compaixão e misericórdia,ofertando àqueles que assim desejem campo abençoado de estudo e trabalho,renovação e entendimento,para a conquista da saúde integral.

Finalmente,a casa espírita deve cumprir seu papel de estimuladora e propiciadora das práticas no bem,nosso maior e melhor advogado em todas as horas. Diz-nos Emmanuel que quando a justiça nos procure para acerto de contas,se nos encontra trabalhando em favor do próximo,manda a misericórdia divina que ela retorne sobre seus passos sem data prevista de retorno. E complementa André Luiz2: “le bien constant génère le bien constant et que si nous ne nous lassons pas d’être actifs dans le bien,tout le mal que nous avons amoncelé s’aténue progressivement et disparait au contact des vibrations d’aide,surgies pour notre bien,chez tous ceux à qui nous adressons le message de compréhension et d’amour pur. Ainsi,nous n’aurons pas besoin de passer forcément besoin de passer par la maladie pour éliminer les restes d’ombre qui pourraient encore adhérer à notre être. L’aide à autrui crée le soutien à nous mêmes. Pour cette raison,les principes de Jésus bannissent de nous la bestialité et l’orgueil,la vanité et la convoitise,la cruauté et l’avarice. Jésus nous exhorte à la simplicité et à l’humilité,à la fraternité sans limites et au pardon inconditionnel. Ses principes,si nous les observons,établissent l’immunologie parfaite à l’intérieur de nous et fortifient le pouvoir mental d’’auto-défense envers tous les éléments destructeurs et dégradants qui nous entourent et favorisent l’évolution vers Dieu”

Andrei Moreira

Médico de família e comunidade e Homeopata

Presidente da Associação Médico-Espírita de MG – Brasil

www.amemg.com.br / ammsouza@hotmail.com

Referências e Para saber mais…

  1. O Livro dos Espíritos – Allan Kardec q. 258 e 264 em especiais
  2. Evolução em dois mundos – parte II,cap. XX – André Luiz /Francisco cândido Xavier
  3. Missionários da Luz – André Luiz /Francisco cândido Xavier
  4. O Homem Sadio – Espíritos diversos/Roberto Lúcio e Alcione Albuquerque
  5. Canção da Esperança – diário de um jovem que viveu com AIDS – Ângelo Inácio/ Robson Pinheiro
  6. A Alma da Matéria – Marlene Nobre

Curso de princípios básicos médico-espíritas

Aos sábados,das 09 às 10:30h.
Duração:1 ano.
Gratuito. Aberto ao todos os interessados,que podem ingressar a qualquer momento do curso.
Porta de entrada para os profissinais da área da saúde que desejam ingressar em algum grupo de estudo e trabalho da Amemg (devem ter 75% de frequência no curso).
Local:Amemg – Rua Conselheiro Joaquim Caetano,1160 – Nova Granada – Belo Horizonte
Ônibus:8205 (via silva lobo). Veja mapa na página de abertura do site.

O curso inicia-se dia 21 de Janeiro,com o estudo:

“Porque utilizar os conhecimentos da Doutrina Espírita na área profissional”,que será ministrado por Andrei Moreira,presidente da Amemg.
O curso será também transmitido online via TVCEI:www.tvcei.com

Outros temas:

Relato das experiências da AMEMG:Grupo Bem vindo à vida

Relato das experiências da AMEMG:Tratamento espiritual – passe magnético e evangelhoterapia

Relato das experiências da AMEMG:Tratamento de Desdobramento terapêutico

Relato das experiências da AMEMG:Grupo de Psicooncologia – uma jornada com o paciente de câncer

Relato das experiências da AMEMG:Grupo de psiquiatria e Espiritismo

Relato das experiências da AMEMG:Grupo de dependências e codependencias

Deus

Espírito

Reencarnação e saúde

Mediunidade e saúde

Lei de Causa e efeito

Mente e consciência

Perispírito e saúde e doença

A Saúde e o adoecimento na visão espírita

Fluidoterapia:passe espiritual e água fluidificada

A oração como fonte de saúde

A pratica da caridade como ação terapêutica

A ação do pensamento como vetor de saúde ou doença

O perdão como atitude para a cura integral

A importância da família para a saúde

Afinal de contas o que promove a cura

O medico ou o terapeuta como curador?

Valorização da vida:gestação,parto,e maternidade,à luz da reencarnação

Dependência química,afetiva,sexual e espiritual

Aprendendo,desaprendendo e reaprendendo sobre o amor

Depressão:uma abordagem médico- espírita

Transtorno alimentar

Síndrome do pânico e ansiedade

Homeopatia e Espiritismo

Suicídio – visão espírita

Chacras ou centros de força

Sexualidade,afetividade e evolução

Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal

Fé:sintonia com a vontade divina

E vós,o que fazeis de especial?

A cura na visa espírita – uma leitura das curas de Jesus

Grupo de Acolhimento a Acadêmicos e Profissionais da Saúde.

É um grupo ininterrupto,aberto a acadêmicos e profissionais da área da saúde que querem se ingressar na Associação. Os estudos seguem uma programação anual com temas da ciência espírita visando à formação básica para ingresso em outros grupos da instituição. Temas:Deus,Espírito,Leis,Perispírito e Corpos Espirituais,Evolução. Encarnação e Reencarnação,Corpo físico,Sexualidade,Mediunidade e Obsessão,Adoecimento,Morte,Terapêuticas,e Curas de Jesus. Interessados podem comparecer à reunião e se apresentarem caso haja interesse em estudar e/ou associar-se à casa,aberta a todos os profissionais da área da saúde.
Reunião aos sábados de 09:00 às 10:30 horas. (ligar e confirmar com a secretária) (31) 3332-5293

Reunião de Tratamento Espiritual

Realizada  às quintas-feiras das 19:00 às 20:00 horas,com evangelhoterapia e aplicação de passes magnéticos,humano-espirituais.
Aberto ao público em geral.

GEEPSICON – Grupo de Estudos de Espiritismo,Psicologia e Oncologia.

Reuniões semanais de estudo e atendimento a pacientes que ocorrem às terças-feiras com o propósito de aprofundar os estudos dessa patologia conjugando conhecimentos da ciência tradicional aos conhecimentos espíritas e o trabalho prático junto ao paciente de câncer e familiares. Uma tarefa de muitos anos,seguindo o modelo de atendimento descrito no anexo 2,de cuja experiência originou-se o livro:“Saúde – Trilha de Transformação”
Pessoas interessadas no tratamento podem ligar e aguardar nosso contato.
(31) 3332-5293